Durante o dia, os pesquisadores do Iphan promoveram uma série de oficinas e rodas de conversa com os moradores locais. Essas atividades foram essenciais para mapear e desenvolver um entendimento mais aprofundado sobre as referências culturais da Tabacaria, o que é um pré-requisito crucial para o processo de tombamento. Essa iniciativa não apenas ressalta o valor histórico do local, mas também visa garantir a proteção dos modos de vida e das tradições que permeiam a cultura quilombola.
Maicon Fernando Marcante, historiador e representante do Iphan, compartilhou a expectativa de que a comunidade da Tabacaria possa se tornar a primeira a receber o tombamento constitucional em Alagoas. “Esse trabalho busca o tombamento constitucional do quilombo, que deverá ser o primeiro dessa modalidade no estado. Embora tenhamos o tombamento do patrimônio de matriz africana da Serra da Barriga desde a década de 1980, o tombamento constitucional específico de um quilombo ainda é inédito”, destacou Marcante.
A prefeita de Palmeira dos Índios, Tia Júlia, também enfatizou a relevância deste momento histórico para a comunidade quilombola e para a cidade como um todo. Em um gesto de apoio, a prefeita mobilizou equipes da Prefeitura para acompanhar a visita técnica, afirmando: “Estamos vivendo um momento histórico para a Tabacaria e para Palmeira dos Índios. É um reconhecimento da identidade, da memória e da resistência do nosso povo quilombola”.
A busca pelo reconhecimento formal do quilombo da Tabacaria se insere em um contexto de valorização da cultura afro-brasileira, refletindo um compromisso com a reparação histórica e a promoção da diversidade cultural. O êxito desse processo poderá abrir portas para que outras comunidades quilombolas, não apenas em Alagoas, mas em todo o Brasil, também possam ter suas histórias e contribuições reconhecidas e valorizadas.





