Quênia: Centenas Prestam Homenagem às 16 Alunas Mortas em Incêndio Criminoso, Exigindo Justiça e Reforma nas Escolas

Gilgil, Quênia – Na última sexta-feira, um profundo luto tomou conta da cidade de Gilgil, no centro do Quênia, quando centenas de pessoas se reuniram para honrar a memória de 16 estudantes que faleceram em um incêndio devastador na Academia Feminina de Utumishi, ocorrido no mês passado. O evento, realizado em um estádio local, foi marcado por dor e apelos por justiça, uma vez que a polícia investiga o incidente como um ato criminoso, resultando na detenção de nove suspeitos.

Os corpos das jovens foram dispostos em caixões brancos, enfeitados com flores e retratos, uma imagem tocante que trouxe à tona a tragédia. Familiares, colegas e líderes da comunidade estiveram presentes, clamando por respostas e responsabilização diante da perda de vidas tão precoces. O incêndio, que teria sido provocado por um fósforo e parafina acendem um colchão na saída do dormitório, ocorreu no dia 28 de maio. Até o momento, os motivos não foram esclarecidos.

Durante a cerimônia, um coro de estudantes da Academia Feminina de Utumishi entoou um hino com a esperança de que dias melhores virão, reiterando a força da comunidade diante da dor. Um dos oradores, uma autoridade presente, fez referência a um incêndio escolar devastador de 2001, no qual 67 meninos perderam a vida, ressaltando que este episódio trágico não é um caso isolado na história do Quênia.

Os protestos estudantis que se seguiram à tragédia levaram ao fechamento de diversas escolas, enquanto a Cruz Vermelha do Quênia relatou mais de 37 ocorrências de incêndios em instituições educacionais desde o início do ano. Incêndios como esse são uma preocupação crescente, frequentemente associados a manifestações estudantis contra medidas disciplinares ou falhas elétricas. As condições precárias em muitos dormitórios, que incluem superlotação e falta de saídas de emergência adequadas, elevam o risco de incidentes fatais.

Em resposta à tragédia, o Ministério da Educação do Quênia suspendeu a diretora da Academia por não cumprir os regulamentos de segurança contra incêndios e fechou mais de 300 escolas após um incêndio anterior que resultou na morte de 21 meninos em 2024.

Durante a missa de sétimo dia, a primeira-dama do Quênia, Rachel Ruto, participou do evento e o bispo presidente questionou a repetição de tais tragédias no sistema educacional, clamando por uma mudança duradoura. A capitã da escola, Abigael Wanjiku, emocionou os presentes com um tributo às colegas, definindo-as como “amigas e parceiras”, e expressou a dor que a escola e a comunidade carregariam.

Uma mãe, em meio ao sofrimento, pediu justiça e reafirmou o compromisso de proteger os estudantes sobreviventes, destacando a urgência de se assegurar um ambiente escolar seguro para todos.

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