Queda nas ações do Nubank e de outras fintechs brasileiras impacta mercado, refletindo insatisfação com lucro e aumento da inadimplência.

Na última sexta-feira, 15 de maio, o desempenho da Nu Holdings, proprietária do Nubank, gerou um clima de desapontamento no mercado financeiro. Desde a abertura dos negócios, as ações do banco digital sofreram uma queda significativa de 8,78%, influenciando negativamente outras fintechs brasileiras que estão listadas nos Estados Unidos, em um dia já complicado por tensões geopolíticas e a expectativa de juros elevados prolongados nos EUA.

Ao encerrar o dia, as ações do Nubank tinham recuado 5,72%, se fixando a US$ 12,19. Com isso, a desvalorização acumulada na semana foi de 12,05%, enquanto que, no mês, a queda totalizou 20,53%. Nos últimos seis meses, os papéis enfrentaram uma desvalorização de 21,86%, destacando-se da máxima de 52 semanas, que chegou a US$ 18,98.

Esse desânimo do mercado vem em decorrência dos resultados financeiros do primeiro trimestre, que foram divulgados na véspera. Embora o lucro por ação tenha sido de US$ 0,19, o número ficou abaixo da expectativa de US$ 0,1971. Além disso, a receita de US$ 4,97 bilhões também frustrou, já que o consenso projetava US$ 5,06 bilhões. A situação se agravou ainda mais com o aumento das provisões para crédito, uma vez que a inadimplência de curto prazo (entre 15 a 90 dias) alcançou 5%, um crescimento de 89 pontos base em relação ao final de 2025.

Enquanto isso, a situação do PicPay também permaneceu tensa. Apesar de a Moody’s elevar a nota de crédito do banco digital da J&F de A para AA-, devido a uma melhora na rentabilidade, os investidores mostraram desconfiança. O mercado ignorou essa reclassificação e as ações continuaram sob pressão. A aprovação da aquisição da seguradora Kovr pelo PicPay pelo CADE, que levantou indícios de possíveis irregularidades, acentuou a incerteza, levando o valor da ação a cair 12,51% no dia.

O Inter e a Stone também enfrentaram dificuldades. O Investor Day do Inter, onde foram apresentadas novas diretrizes estratégicas, não conseguiu convencer os investidores após resultados financeiros decepcionantes. Em relação à Stone, a mudança de recomendação por parte do Citi para neutra, devido a um modelo de negócios considerado inadequado, destacou os desafios enfrentados pela fintech em um mercado competitivo.

Entre as exceções, o Agibank obteve uma leve alta, mas a perspectiva do banco permanece conturbada após um balanço fraco. Ao final do dia, o tombo generalizado nos mercados, alimentado por tensões externas e temores de uma política monetária rigorosa nos EUA, demonstrou o impacto negativo dessas dinâmicas sobre as fintechs brasileiras.

As bolsas americanas fecharam no vermelho, refletindo essa atmosfera de incerteza, com o S&P 500 recuando 1,24%, enquanto o Dow Jones e a Nasdaq também enfrentaram quedas significativas. Com esses fatores, o cenário para as fintechs não parece promissor em um curto prazo.

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