Queda do Dinheiro em Espécie no Brasil: Pix Revoluciona Pagamentos, Atingindo 42% do Comércio Eletrônico em 2025, Segundo Global Payments Report.

O uso de dinheiro em espécie no Brasil sofreu uma queda drástica, atingindo apenas 3% do valor transacionado no comércio eletrônico e 12% nos pontos de venda físicos em 2025. Esses dados, revelados na 11ª edição do Global Payments Report, colocam o Brasil em patamares semelhantes aos de nações como Estados Unidos e Reino Unido. O principal responsável por essa transformação é o sistema de pagamentos instantâneo conhecido como Pix, uma iniciativa do Banco Central que reinventou o modo de fazer transações financeiras no país.

Apesar do comércio eletrônico ser predominantemente digital, o relatório também considera formas de pagamento como o “cash on delivery”, onde os consumidores pagam em dinheiro na entrega ou em lojas conveniadas. O estudo, elaborado pela empresa de pagamentos Worldpay, analisa o comportamento de consumidores em 42 países e projeta tendências até 2030. Nesta edição, a fusão da Worldpay com a Global Payments é destacada, mostrando a expansão de suas operações em nível global.

Com 42% do valor transacionado no e-commerce e 34% nos pontos de venda físicos, o Pix se revela uma “pedra angular nos pagamentos do Brasil”, proporcionando uma infraestrutura de pagamentos em tempo real que conecta consumidores, comerciantes e governo. Além de sua eficácia no mercado interno, o Pix começou a ganhar aceitação internacional, já sendo utilizado em países como Argentina, Chile, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Essa globalização do sistema brasileiro é um exemplo de sucesso da chamada “glocalização”, onde uma solução desenvolvida localmente consegue se expandir sem perder suas características essenciais.

Entretanto, as transações via cartões ainda dominam o mercado. Em 2025, os cartões de crédito e débito representaram 45% do valor transacionado no e-commerce e 42% nos pontos de venda físicos. Os brasileiros, por sua vez, não abandonaram os cartões, mas migraram suas transações para as plataformas digitais, onde Pix e cartões frequentemente coexistem na mesma compra.

A correspondente evolução dos sistemas de pagamento também se reflete em outras partes da América Latina. O Mercado Pago, por exemplo, está se consolidando como um banco na região. Essa plataforma financeira se destaca, assim como o Nubank, por oferecer funções de pagamento em suas carteiras digitais, mirando um futuro onde esses aplicativos se tornem superaplicativos que integram diversos serviços financeiros.

A Argentina segue uma trajetória similar no que diz respeito à digitalização de pagamentos, impulsionada pelo Transferencias 3.0, que força a integração entre instituições financeiras e fintechs e facilita os pagamentos. Já o México, com o maior uso de dinheiro em espécie da América Latina, opta por soluções de pagamento que permitem transações em espécie mesmo no e-commerce, destacando-se pelo seu uso intensivo de sistemas de pagamento pós-venda.

Na Europa, uma resposta à hegemonia dos sistemas de pagamento norte-americanos vem com o lançamento do Wero, um aplicativo multi-banco que visa integrar diversas plataformas sob uma única marca, a fim de reduzir a dependência de provedores externos. Enquanto isso, na China, o uso de aplicativos de pagamento dominou o cenário, com Alipay e WeChat Pay quase eliminando o uso de dinheiro em espécie.

Por outro lado, as criptomoedas, que prometiam revolucionar o setor, ainda representam uma pequena fração do comércio eletrônico global. Apesar disso, a aceitação de criptomoedas via cartões se destaca, mostrando que a ponte entre criptomoedas e sistemas de pagamentos tradicionais pode ser a chave para sua adoção futura.

No cenário global, espera-se que o uso de aplicativos de pagamento em estabelecimentos físicos cresça consideravelmente, enquanto as criptomoedas encontram seu espaço no mundo financeiro de forma mais gradual, ainda dependente de estruturas convencionais.

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