Queda de Popularidade do Presidente Uruguaio Reflete Cansaço Cumulativo com Governos na América Latina e Descontentamento da População

A recente queda na popularidade do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, tem gerado preocupações não apenas em Montevidéu, mas também em toda a América do Sul, refletindo uma tendência de insatisfação crescente com os governos da região. Em apenas um ano e dois meses desde sua posse, Orsi, que se apresentou como um sucessor do icônico ex-presidente José Mujica, viu sua aprovação popular despencar drasticamente.

Pesquisas realizadas por instituições como a consultoria Factum revelaram que a desaprovação da gestão de Orsi chegou a 46%, com apenas 29% dos entrevistados expressando apoio ao governo. Esses números se tornaram um motivo de alerta, especialmente considerando que a desaprovação começou em 22% no início de seu mandato e rapidamente escalou para 41% em apenas um bimestre. Outra consultoria, Equipos, até registrou uma desaprovação de 48%, reforçando a percepção de que a administração atual não está respondendo às expectativas da população.

Eduardo Bottinelli, sociólogo e diretor da Factum, apontou que a situação é um reflexo de um “cansaço com os governos”, uma tendência que ecoa em várias nações da América Latina. “Embora seja normal que a aprovação de um presidente diminua ao longo do mandato, a velocidade dessa queda é alarmante”, comentou Bottinelli.

O governo de Orsi enfrenta críticas particularmente nas áreas de segurança e assistência social. O aumento das taxas de homicídio em Montevidéu e o crescimento alarmante de pessoas em situação de rua, que triplicaram na última década, são questões prioritárias que ainda não foram resolvidas. Orsi reconheceu que o problema da indigência, que agora afeta cerca de 14 mil pessoas no país, é mais grave do que se pensava inicialmente, levando-o a implementar um plano para lidar com a situação.

Adicionalmente, Bottinelli destaca que, ao contrário de seus antecessores, Orsi não possui um status incontestável dentro do partido Frente Ampla, o que o torna mais vulnerável a críticas e pressões internas. O apoio que ele recebia de eleitores que o apoiaram nas eleições de 2025 também apresentou uma queda significativa, refletindo um distanciamento cada vez mais claro das promessas eleitorais feitas pela administração.

Caso essa tendência de desaprovação continue até 2027, período que marca o meio de seu mandato, Orsi poderá enfrentar desafios ainda maiores, incluindo conflitos com sindicatos e grupos sociais. No entanto, especialistas não preveem protestos massivos ou crises sociais imediatas, devido à estabilidade institucional que caracteriza o Uruguai. A capacidade do governo de reverter essa situação e restaurar a confiança dos cidadãos será decisiva para seu futuro político e para a sanidade política do país nos próximos anos.

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