Queda de 19% nas ações do PicPay na Nasdaq: lucro acima do esperado não evita desvalorização impulsionada pela alta inadimplência no último trimestre.

As ações do PicPay, banco digital brasileiro, enfrentaram uma significativa desvalorização nesta terça-feira, sendo cotadas a US$ 9,03 na Nasdaq, uma queda de 19,16% em relação ao dia anterior. Esse tombo representa uma perda de US$ 2,14 por ação e marca um dia em que os papéis nunca conseguiram operar em território positivo, com a desvalorização mais leve ocorrendo logo na abertura, ao redor de 2,69%. Essa queda se acumula a um total de 52,47% desde a estreia da companhia na bolsa norte-americana, realizada em janeiro, deixando o valor atual bem distante do preço-alvo de US$ 20 estimado pelo BTG Pactual, que ainda assim mantém uma recomendação de compra, indicando um potencial de valorização superior a 120%.

Contraditoriamente, a desvalorização das ações aconteceu logo após o PicPay divulgar resultados financeiros favoráveis. A empresa apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões, representando um aumento de 92% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa cifra também superou as expectativas do BTG e o consenso de mercado. A receita líquida cresceu 70%, contabilizando R$ 3,5 bilhões, e a carteira de crédito expandiu em 116% nos últimos 12 meses, atingindo R$ 28 bilhões. No entanto, as análises do balanço financeiro sinalizaram uma preocupação com o aumento da inadimplência, cuja taxa de créditos vencidos acima de 90 dias alcançou 8,9%, um crescimento significativo em comparação com o trimestre anterior.

Os analistas do BTG Pactual destacaram que a alta da inadimplência está atrelada ao crescimento expressivo da carteira de crédito, embora isso não implique que o banco esteja emprestando para clientes em condições mais arriscadas. Mesmo assim, o aumento esperado nos índices de inadimplência gera apreensão no mercado, limitando a recuperação das ações no curto prazo.

Apesar das dificuldades, alguns fatores ainda mantém a esperança em relação ao futuro do PicPay. Os indicadores relacionados à qualidade do crédito estão apresentando melhorias, juntamente com a contenção nas despesas e no custo de risco. A capacidade do banco de gerar receita sem expandir significativamente a equipe é um dado positivo; o número de colaboradores permanece praticamente inalterado desde outubro de 2025, e a meta de aumentar o quadro em 10% foi revista. Além disso, os depósitos cresceram 46% em um ano, enquanto a carteira de crédito com garantia progrediu 191%, impulsionada especialmente pelo empréstimo consignado. Contudo, o retorno sobre o patrimônio (ROE) ajustado caiu temporariamente após a captação de recursos na Oferta Pública Inicial (IPO), o que não desanima o CEO Eduardo Chedid, que prevê que o ROE retornará a cifras superiores a 20% nos próximos trimestres à medida que os novos capital sejam alocados em produtos mais rentáveis.

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