Quase 10 mil imóveis demolidos em Maceió: moradora denuncia falta de aviso sobre destruição de sua casa durante processo de mineração da Braskem.

A situação imobiliária em Maceió se agrava devido às atividades de mineração de sal-gema realizadas pela empresa Braskem. Até o momento, 9.796 dos 14.549 imóveis condenados foram demolidos, representando 67,33% do total. A demolição recente do Edifício Abarello destaca a maneira como a cidade lida com os imóveis ameaçados, utilizando equipamentos sofisticados, como máquinas com tesouras hidráulicas, para garantir a segurança das estruturas vizinhas.

A Defesa Civil de Maceió, por meio do Centro Integrado de Monitoramento e Alerta (Cimadec), tem o papel primário de realizar vistorias e determinar quais edificações devem ser demolidas para prevenir acidentes. O engenheiro civil Guilherme Henrique enfatiza a importância dessa identificação, que busca mitigar riscos de colapso estrutural em uma região já comprometida pelo afundamento do solo.

Contudo, essa gestão tem gerado controvérsias. Uma proprietária, residente no bairro do Pinheiro, reclama que sua casa foi demolida sem aviso prévio por parte da Defesa Civil e da Braskem. De acordo com sua advogada, a comunicação sobre a demolição foi feita de maneira inadequada e à revelia de um processo judicial em andamento, que deveria impedir qualquer ação em relação ao imóvel. A proprietária explicou que recebeu ameaças de despejo e de demolição, que a deixaram em uma situação de insegurança e angustiante, levando-a a registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia local.

A Defesa Civil argumenta que a demolição do imóvel em questão foi uma medida de emergência, justificando que a edificação apresentava riscos estruturais devido a rachaduras e sua localização em uma área crítica. Por outro lado, a Braskem defende que a demolição foi feita em conformidade com a legislação e que um valor de indenização, previamente definido em um laudo técnico, foi homologado pela Justiça.

Além disso, a empresa aponta que o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF) já contemplou milhares de moradores, com propostas de indenização apresentadas até agora. Segundo seus dados, 19.178 propostas foram feitas, das quais a maioria foi aceita e as indenizações já estão sendo pagas, ultrapassando a marca de R$ 4 bilhões em auxílios financeiros.

Com a complexidade da situação, a continuidade das demolições em Maceió gera não apenas um impacto estrutural significativo, mas também uma onda de insegurança e descontentamento entre os moradores, que se sentem desamparados em um cenário de incertezas jurídicas e sociais.

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