Qesh Cancela Licença de Instituição de Pagamento e Enfrenta Desafios no Setor Financeiro

A fintech brasileira Qesh, que atuava como Instituição de Pagamento (IP), solicitou o cancelamento de sua licença junto ao Banco Central do Brasil na última terça-feira, 31 de março. A informação foi divulgada em um comunicado oficial na quarta-feira, 1 de abril, pelo próprio BC. Essa decisão marca um ponto significativo na trajetória da empresa, que obteve autorização do regulador para operar há cerca de três anos, ampliando suas atividades na área de pagamentos digitais.

A Qesh se destacou por oferecer soluções inovadoras, como um sistema bancário digital nativo na nuvem, utilizando tecnologias de Inteligência Artificial e machine learning. Com suas operações como emissor de moeda eletrônica e Iniciador de Transação de Pagamento (ITP), a empresa prometia uma experiência adequada tanto para usuários comuns quanto para negócios que precisavam de agilidade e eficiência nas transações.

No entanto, atualmente, o site e as redes sociais da Qesh estão fora do ar, revelando um cenário preocupante para os stakeholders. O Finsiders Brasil tentou entrar em contato com Cristiano Maschio, CEO e fundador da Qesh, através de sua conta no LinkedIn, na tentativa de obter explicações sobre os motivos que levaram ao cancelamento da licença, mas ainda aguarda um retorno.

Fundada em 2018 em Nova Lima, Minas Gerais, a Qesh anunciou há alguns meses uma base de 2,5 milhões de contas abertas e um volume de transações trimestrais que alcançava impressionantes R$ 6,2 bilhões. Os planos para o futuro incluíam a criação de novos produtos, expansão para outros mercados da América Latina e busca por investimentos. O empresário Cristiano Maschio tem uma sólida carreira no setor financeiro, iniciando sua trajetória no Bradesco e se destacando na Porto Seguro.

Vale lembrar que, em setembro de 2024, a Qesh enfrentou um incidente de segurança, que resultou na exposição de dados cadastrais de 53.383 chaves Pix, embora informações sensíveis não tenham sido comprometidas. Este episódio relembra os desafios que as fintechs enfrentam em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso.

De acordo com dados do Banco Central, 2025 já registrou 32 cancelamentos de autorização para funcionamento de instituições financeiras, sendo sete referentes a IPs. Esse movimento mostra um aperto no setor, refletindo a crescente pressão regulatória sobre as fintechs, que precisam agora se adaptar a exigências mais altas, como capital mínimo, o que pode levar a uma “saída organizada” de empresas que não conseguirem se adequar aos novos padrões. No Brasil, atualmente existem cerca de 220 IPs autorizadas pelo Banco Central, que deverá intensificar esse cenário de cancelamentos e reestruturações ao longo deste ano.

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