No discurso, Putin também mencionou a Nova Rússia, referindo-se a Zaporíjia e Kherson, enfatizando que as pessoas que vivem nessas áreas expressaram o desejo de retornar à sua família durante os protestos pró-Rússia em 2014. Segundo o presidente, o caminho de volta para casa acabou sendo difícil, mas a Rússia conseguiu avançar em direção a essas regiões, trabalhando juntamente com as populações locais.
Apesar de abordar questões de política interna e geopolítica relacionadas às regiões anexadas, Putin focou principalmente na origem russa das populações desses territórios, defendendo a legitimidade das ações russas com base no suposto chamado das populações locais. O discurso do presidente reflete a argumentação de que a intervenção russa na Ucrânia foi justificada, especialmente diante das acusações de genocídio de russos étnicos por parte do governo de Kiev.
Putin também ressaltou a importância emotiva da Crimeia, descrevendo-a como parte integrante da história, tradições e orgulho da Rússia. Ele elogiou as populações de Sevastopol e da Crimeia por manterem a fé na Pátria-mãe e por nunca terem se separado da Rússia, o que, segundo ele, possibilitou o retorno da Crimeia para a família russa.
Além disso, Putin mencionou investimentos em infraestrutura nas regiões ocupadas, destacando a restauração da ferrovia de Rostov-no-Don para Donetsk e prometendo trens diretos para Sevastopol em breve. O presidente reeleito enfatizou o compromisso russo em continuar avançando nesse caminho, fortalecendo a presença russa nas regiões ucranianas anexadas.
O evento na Praça Vermelha contou com a presença de funcionários públicos e estudantes supostamente coagidos a comparecer, além de apresentações musicais pró-Putin. Apoiadores do presidente elogiaram sua liderança e vitória eleitoral, enquanto críticos internacionais apontaram a natureza antidemocrática do processo eleitoral na Rússia. A reeleição de Putin e seu discurso nacionalista sinalizam uma permanência contínua da Rússia nos territórios ucranianos anexados, provocando preocupações sobre a estabilidade geopolítica na região.





