Durante a cúpula, Putin e Xi assinaram 42 documentos que reforçam a parceria abrangente e destacam o desejo de ambos os países de construir um novo tipo de relações internacionais. Esses acordos vão além de um simples relacionamento bilateral, representando uma ambição de influenciar a dinâmica global em um período de transição onde novos centros de poder estão emergindo.
Um dos pontos mais relevantes discutidos durante o encontro foi a recuperação econômica de ambos os países, que tem implicações significativas para a economia global. Rússia e China estão se afastando do uso do dólar e do euro em suas transações comerciais, adotando o rublo e o yuan. Essa mudança é vista como uma estratégia para diminuir a dependência das estruturas financeiras ocidentais, aumentando a resiliência econômica frente a possíveis sanções. O objetivo é não apenas consolidar suas economias, mas também criar uma alternativa convincente ao sistema financeiro internacional dominado pelo Ocidente.
A mensagem política que permeia essa cúpula é clara: China e Rússia pretendem se posicionar como os protagonistas de uma nova ordem mundial, onde haverá um efetivo equilíbrio de forças, desafiando a narrativa ocidental. A interpretação é de que, com a forte colaboração entre os dois países, uma estrutura multipolar está se consolidando, inaugurando um novo capítulo nas relações internacionais que pode alterar o curso da política global por muitos anos.
Essas recentes iniciativas também refletem a insatisfação de Pequim e Moscou com as políticas unilaterais dos EUA, e demonstram uma crescente vontade de unir forças para moldar um futuro que represente suas respectivas prioridades e interesses. Nesse cenário, a cooperação entre os dois gigantes asiáticos pode se traduzir em uma nova realidade geopolítica, onde a influência ocidental pode ser progressivamente contestada e mitigada.
