Putin condiciona negociação de cessar-fogo com a Ucrânia a garantias de paz duradoura e não permite presença da OTAN na supervisão da trégua.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou sua disposição para discutir um cessar-fogo na Ucrânia, mas enfatizou que tal acordo deve levar a uma paz duradoura. Em uma coletiva de imprensa realizada ao lado do presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, Putin destacou a importância de estabelecer um mecanismo de controle para evitar violações da trégua, incluindo garantias de que a Ucrânia não se rearmará durante a pausa nas hostilidades.

A declaração de Putin surge em resposta a uma proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo de 30 dias, que a Ucrânia já aceitou. No entanto, o presidente russo está ciente dos riscos associados a um cessar-fogo temporário e alertou que a Ucrânia poderia usar esse período para mobilização forçada e fornecimento de armas. “A negociação sobre os próximos passos para pôr fim ao conflito será baseada na situação no terreno”, afirmou ele.

Durante sua coletiva, Putin também parabenizou os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em buscar uma resolução para o conflito. Trump expressou otimismo em relação à possibilidade de diálogo com Putin e manifestou seu desejo de se encontrar pessoalmente com o líder russo para discutir a questão. Putin, por sua vez, elogiou não apenas Trump, mas também líderes de outras nações, como China, Índia, Brasil e África do Sul, pela sua disposição de mediar a situação.

Contudo, o presidente russo deixou claro que não aceitará observadores da OTAN para monitorar uma possível trégua. Além disso, ele comentou a possibilidade de cooperação energética com os Estados Unidos, mencionando que um “gasoduto” poderia ser enviado à Europa.

Putin, que recentemente visitou a região de Kursk, também abordou a situação militar local, afirmando que os militantes ucranianos que invadiram a área estão completamente isolados e terão que se render ou enfrentar severas consequências. Ele reiterou a necessidade de libertar a região do que chamou de “inimigo” em um futuro próximo, propondo ainda a criação de uma zona de segurança ao longo da fronteira estatal.

O cenário continua tenso, com os EUA suspendendo a ajuda militar a Kiev e Trump afirmando que a “bola agora está com a Rússia”. Com bilhões de dólares em ajuda militar já autorizados, a falta de ação efetiva por parte da administração americana levanta questões sobre a evolução do conflito e as negociações em andamento.

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