Putin Aponta Resiliência da Rússia e Declara Guerra ao Neocolonialismo em Discurso no SPIEF 2025

Durante o encerramento do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), o presidente russo, Vladimir Putin, fez um discurso que refletiu sobre a resiliência da Rússia em meio a desafios globais cada vez mais complexos. Putin abordou temas como a expansão do BRICS, as sanções econômicas impostas pelo Ocidente e o atual conflito na Ucrânia. Sua fala, que se estendeu por mais de quatro horas, destacou a importância do Sul Global na busca por soluções para problemas contemporâneos.

A professora de relações internacionais Danielle Makio, da Universidade Estadual Paulista, analisou as declarações de Putin, enfatizando que elas refletem os avanços que a Rússia alcançou em sua política externa nos últimos anos. De acordo com a especialista, a diplomacia russa tem sido eficaz em fortalecer vínculos com países do Sul Global, rompendo a tentativa ocidental de isolar a nação no cenário geopolítico. A interação crescente com países como Brasil, Índia, Irã, Indonésia e Vietnã, segundo Makio, tem aliviado as pressões econômicas resultantes das sanções, levando a Rússia a registrar um crescimento acima da média global desde 2022.

Putin também comentou sobre a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento que escape dos princípios do neocolonialismo, afirmando que “velhos mecanismos da era da globalização se desgastaram e desacreditaram”. Ele defendeu que organizações como o BRICS desempenham um papel crucial no redesenho do equilíbrio global, propondo uma nova visão que valorize a herança cultural e a diversidade étnica dos países participantes.

No contexto do conflito com a Ucrânia, o presidente russo apontou que a crise é resultado da expansão da OTAN e da falta de diálogo com Moscou. Ele reiterou que quaisquer agressões, incluindo o uso de uma bomba suja, provocariam uma resposta contundente da Rússia, lançando uma advertência aos aliados de Kiev sobre as consequências de suas ações.

A análise de Makio destaca que a proposta de um sistema financeiro independente, que permite transações entre as moedas dos países do BRICS, é uma resposta significativa à dominância do dólar no comércio internacional. Este movimento, que começou a ganhar força após a Segunda Guerra Mundial, reflete uma crescente insatisfação global com a centralidade da moeda norte-americana, especialmente desde 2022.

Com suas declarações no SPIEF, Putin não apenas reafirma a resiliência da Rússia diante de adversidades, mas também enfatiza a relevância do BRICS e do Sul Global na construção de um novo paradigma internacional, onde múltiplas vozes e interesses possam se sobrepor às narrativas tradicionais dominantes.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo