O documento, que se distancia de pautas relacionadas a costumes, critica a instrumentalização da religião para fins eleitorais. Os membros do partido reafirmam seu apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e destacam a importância de um Estado laico que respeite a diversidade religiosa. Além disso, o texto critica o que consideram a “transformação de igrejas em palanques”, enfatizando a necessidade de resgatar a dignidade da política por meio da educação popular e da participação cidadã.
A carta ainda menciona diversas iniciativas sociais promovidas durante as administrações petistas, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Essas ações são apresentadas como exemplos do compromisso do partido com a dignidade da classe trabalhadora e das populações vulneráveis. Os católicos do PT manifestam sua intenção de apoiar um projeto eleitoral que priorize a igualdade e o cuidado com o meio ambiente, referindo-se à “casa comum”.
Neste contexto, o texto reafirma o compromisso do partido com os princípios do Estado Democrático de Direito, ressaltando que o voto deve ser uma decisão consciente, baseada na análise das trajetórias públicas e nas propostas dos candidatos. Em um trecho que destaca a defesa da democracia, os católicos afirmam que proteger esse princípio significa, antes de tudo, combater formas de autoritarismo e exclusão.
O voto entre segmentos religiosos se tornou um tema central nas campanhas eleitorais, com as candidaturas de Lula e seus opositores buscando conquistar esse eleitorado. O coordenador nacional do setor inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, desqualifica qualquer ideia de que o partido busque ganhos eleitorais com essa aproximação, argumentando que a trajetória do PT está intrinsicamente ligada à luta por justiça social e direitos humanos.
Barbosa ainda comentou sobre a questão do aborto, afirmando que o debate sobre o tema está “superado” dentro do partido, sem que seja necessário abordar a questão. Ele invoca a necessidade de se focar em problemas mais prementes, como a pandemia e suas consequências.
Com aproximadamente 86% de seus filiados identificando-se como cristãos, o PT tem intensificado o diálogo com os segmentos religiosos, em resposta ao crescimento do conservadorismo no Brasil e à proliferação de desinformação. O partido, assim, busca não apenas reafirmar sua posição política, mas também dialogar com a base religiosa que compõe uma parte significativa de sua militância.





