PT lança carta aos católicos em defesa da reeleição de Lula e critica uso da religião na política eleitoral brasileira.

Na tarde desta quarta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta destinada aos católicos, fruto de um encontro realizado na véspera com membros da comunidade religiosa. Essa iniciativa surge em um contexto mais amplo, já que a sigla havia recentemente promovido um evento voltado a evangélicos e também emitido uma carta para esse público.

O documento, que se distancia de pautas relacionadas a costumes, critica a instrumentalização da religião para fins eleitorais. Os membros do partido reafirmam seu apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e destacam a importância de um Estado laico que respeite a diversidade religiosa. Além disso, o texto critica o que consideram a “transformação de igrejas em palanques”, enfatizando a necessidade de resgatar a dignidade da política por meio da educação popular e da participação cidadã.

A carta ainda menciona diversas iniciativas sociais promovidas durante as administrações petistas, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Essas ações são apresentadas como exemplos do compromisso do partido com a dignidade da classe trabalhadora e das populações vulneráveis. Os católicos do PT manifestam sua intenção de apoiar um projeto eleitoral que priorize a igualdade e o cuidado com o meio ambiente, referindo-se à “casa comum”.

Neste contexto, o texto reafirma o compromisso do partido com os princípios do Estado Democrático de Direito, ressaltando que o voto deve ser uma decisão consciente, baseada na análise das trajetórias públicas e nas propostas dos candidatos. Em um trecho que destaca a defesa da democracia, os católicos afirmam que proteger esse princípio significa, antes de tudo, combater formas de autoritarismo e exclusão.

O voto entre segmentos religiosos se tornou um tema central nas campanhas eleitorais, com as candidaturas de Lula e seus opositores buscando conquistar esse eleitorado. O coordenador nacional do setor inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, desqualifica qualquer ideia de que o partido busque ganhos eleitorais com essa aproximação, argumentando que a trajetória do PT está intrinsicamente ligada à luta por justiça social e direitos humanos.

Barbosa ainda comentou sobre a questão do aborto, afirmando que o debate sobre o tema está “superado” dentro do partido, sem que seja necessário abordar a questão. Ele invoca a necessidade de se focar em problemas mais prementes, como a pandemia e suas consequências.

Com aproximadamente 86% de seus filiados identificando-se como cristãos, o PT tem intensificado o diálogo com os segmentos religiosos, em resposta ao crescimento do conservadorismo no Brasil e à proliferação de desinformação. O partido, assim, busca não apenas reafirmar sua posição política, mas também dialogar com a base religiosa que compõe uma parte significativa de sua militância.

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