Recentemente, o PT tem focado na montagem de acordos político-partidários e planeja lançar candidatos próprios ao governo em apenas dez estados. Este número é inferior ao que a sigla apresentou em 2018 e 2022. Em compensação, o partido deve apoiar candidatos de outras legendas em outros 14 estados, como PSB, PDT, MDB, PSD, PP e União Brasil, mesmo que estas legendas não façam parte formalmente da aliança com Lula. No entanto, algumas dessas decisões têm ocasionado desavenças, como no Rio Grande do Sul, onde a direção nacional do PT optou por apoiar a candidatura de Juliana Brizola, do PDT, em lugar do preferido local, Edegar Pretto.
No âmbito do PDT, o partido se esforça para garantir uma posição privilegiada na aliança que se forma em três estados: Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Em Minas, a legenda apoia Alexandre Kalil, enquanto Lula tenta persuadir o senador Rodrigo Pacheco, ligado ao PSB, a entrar na disputa pelo governo. O PSD surge como um aliado estratégico, com o PT propenso a apoiar suas candidaturas no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Amazonas e, possivelmente, Sergipe.
No Nordeste, o PT articula a formação de palanques duplos em estados de relevância política. Na Paraíba, busca a colaboração de Cícero Lucena, do MDB, além do apoio formal a Lucas Ribeiro, do PP. Em Pernambuco, o partido trabalha para unir forças com a governadora Raquel Lyra, do PSD, mesmo mantendo aliança formal com João Campos, do PSB. No entanto, há incertezas em Goiás, Tocantins e Maranhão, onde o PT encontra resistência da administração estadual, especialmente com o governador Carlos Brandão.
Por outro lado, o PL navega por um cenário mais fragmentado ao tentar estruturar suas próprias alianças para Flávio Bolsonaro. O partido tem a intenção de lançar pelo menos um candidato ao governo ou ao Senado em todos os estados, já contando com pré-candidatos em 12 deles, incluindo os importantes mercados eleitorais do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Para aumentar sua presença no Nordeste, a sigla recentemente filiou o ex-prefeito Álvaro Dias, do Rio Grande do Norte, e o senador Efraim Filho, da Paraíba.
As negociações do PL avançam em seis estados e no Distrito Federal, com coligações sendo discutidas com o União Brasil e o PP. Na Bahia, a diversidade de apoio tem causado divisões, pois ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, almeja a governança, mas com posicionamentos distintos em relação à eleição presidencial. No Ceará, tentativas de parceria com Ciro Gomes foram interrompidas devido a descontentamentos internos, especialmente de integrantes do grupo de Michelle Bolsonaro.
Minas Gerais representa um campo de tensão para o PL, que está dividido entre apoiar diferentes candidaturas para a governança. Enquanto isso, no Norte do país, a expectativa é de múltiplos palanques, com várias figuras disputando o eleitorado alinhado a Bolsonaro, especialmente no Acre.
Embora a polarização política seja acirrada no cenário nacional, a expectativa é que PT e PL se confrontem diretamente em um número reduzido de estados. Até o momento, as disputas diretas entre candidatos de ambos os partidos estão previstas para ocorrer apenas no Rio Grande do Norte, Rondônia e Piauí.






