A priorização das candidaturas ao Senado decorre do fato de que, nesta eleição, aproximadamente dois terços das vagas em disputa serão gratuitas, o que aumenta a relevância dessa estratégia. Enquanto em 2022 cada estado elegeu um novo senador, o crescimento da fatia destinada a esses candidatos é desproporcional em relação ao número de novas cadeiras disponíveis.
A movimentação dos aliados de Jair Bolsonaro para ampliar a bancada da direita no Senado tem acendido um alerta entre os membros do PT. Há uma forte preocupação com a necessidade de fortalecer a base de aliados nas duas Casas do Congresso, considerando os desafios para a governabilidade de Lula, caso ele vença a disputa e inicie um quarto mandato. Desde o casamento do presidente, em janeiro de 2023, a relação entre o Planalto e o Congresso tem enfrentado altos e baixos, gerando incertezas.
Durante a reunião, o PT definiu ainda a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral entre diferentes blocos de candidatos, detalhando as porcentagens que cada um receberá. As diretrizes estipuladas preveem que 20,64% do fundo seja destinado à presidência, 11,70% para governos estaduais, 10,08% para o Senado e 43,06% para a Câmara dos Deputados, enquanto 8,13% serão alocados para Assembleias Legislativas.
Adicionalmente, foi reservado 6,40% do total do fundo para um fundo de reserva, que poderá ser remanejado ao longo do processo eleitoral conforme as necessidades emergentes.
O PT também está atento à situação das candidaturas de mulheres e pessoas negras. Atualmente, a normativa exige que os partidos destinem 30% do fundo para essas candidaturas, embora ainda não tenha sido definido em quais níveis as verbas devem ser aplicadas. Essa indefinição pode favorecer uma distribuição desigual dos recursos, especialmente em campanhas majoritárias. O assunto está sendo avaliado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No contexto das eleições estaduais, o PT já conta com sete governadores em disputa, com destaque para Rafael Fonteles (Piauí), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará), que buscam reeleição.
A perspectiva é que a eleição presidencial deste ano seja altamente competitiva, tornando essencial para o PT aumentar a votação de Lula em estados onde a esquerda tradicionalmente tem mais força, especialmente em relação aos resultados em regiões onde a direita possui um desempenho mais forte. A atenção também se concentra na disputa em São Paulo, onde Fernando Haddad é uma das apostas do partido. A expectativa é que, com um investimento adequado nas candidaturas, seja possível manter e até expandir o voto em favor de Lula nestas importantes localidades.
