PSDB de Alagoas: De Ostracismo a Protagonismo, Mas Sem Provas de Força Eleitoral Real

O PSDB de Alagoas conseguiu emergir de um longo período de ostracismo político, mas essa ressurreição não significa, necessariamente, que o partido já possui a musculatura eleitoral necessária para se estabelecer como uma força significativa nas próximas eleições. A liderança de JHC trouxe visibilidade à legenda, especialmente nas redes sociais, onde o ex-prefeito de Maceió sempre teve destaque. Contudo, a realidade que se impõe é que a autopromoção pode não corresponder à força real do partido, que, antes da chegada de JHC, contava com apenas um prefeito entre os 102 municípios alagoanos: Manoel Tenório, de Quebrangulo.

A reestruturação do PSDB começou em 1º de abril, quando JHC assumiu a presidência estadual da sigla e, estrategicamente, levou consigo três vereadores de Maceió, o que gerou uma imagem de renovação e retorno ao protagonismo político. No entanto, essa mudança, embora promissora na superfície, ainda pode revelar-se frágil. Recentemente, JHC intensificou as filiações de figuras proeminentes, como a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, e o ex-prefeito de Girau do Ponciano, Gilvan Barros. Apesar desse movimento, que aparentemente fortalece o partido, a realidade política subjacente mostra que a verdadeira adesão ao PSDB ainda está longe de ser uma demonstração robusta de crescimento.

No caso de Arapiraca, a filiação de Rocha é significativa, mas não necessariamente um indicativo de domínio político, uma vez que ela tem estado mais nos bastidores do que efetivamente na arena eleitoral. Gilvan Barros, por sua vez, é um reforço útil, mas sua presença não indica por si só uma transformação do PSDB em uma máquina política com real capilaridade regional.

Em Maceió, onde JHC sempre concentrou suas forças, a situação também apresenta desafios. Após as filiações anunciadas de diversos vereadores, surgiram documentos que indicam que alguns não confirmaram sua migração para o PSDB, o que gerou tensão e até ameaças judiciais por parte do antigo partido, o PL. Este conflito legislativo não apenas diminui a imagem de um crescimento sólido, mas, na verdade, revela a pressa e a insegurança que acompanham essa nova fase do PSDB.

Esse ressurgimento do partido também se deu com a ajuda de figuras históricas da política alagoana, como Teotonio Vilela Filho, e Júnior Leão, que ajudaram a organizar as novas estruturas do PSDB. Além disso, é fundamental observar que, enquanto um movimento muito ativo pode atrair atenção, ele não substitui a necessidade de uma base concreta de apoio, a qual ainda é incerta.

Por outro lado, o ex-prefeito de Maceió agora se vê em um novo cenário com o PSDB, mas carece de definições claras sobre seus próximos passos. Essa incerteza alimenta um sentimento de que, apesar do brilho exterior, a nova formação do partido pode carecer de solidez interna e estratégica.

Assim, ainda que o PSDB tenha superado seu status de “partido em coma”, a percepção geral é de que, por ora, trata-se mais de uma sigla reanimada por estratégias de marketing e nomes conhecidos do que uma estrutura consolidada e eficaz. A capacidade de enfrentar as próximas eleições com vigor depende não apenas de sua imagem e ações atuais, mas da construção de uma base sólida e confiável que possa garantir votos e apoio real nas urnas. A verdadeira prova desse ressurgimento, portanto, reside na capacidade do partido de transformar essa nova visibilidade em força eleitoral efetiva.

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