Protestos no México: O Outro Lado da Copa do Mundo de 2026
A Cidade do México se prepara para receber a Copa do Mundo FIFA 2026, um dos maiores eventos esportivos do mundo, que promete atrair milhões de torcedores e turistas para a capital. No entanto, essa expectativa é contrastada por um cenário de protestos e insatisfação social, que se tornou uma característica comum na vida urbana da metrópole com 21 milhões de habitantes.
Desde mães de desaparecidos até sindicatos trabalhistas e coletivos feministas, uma ampla variedade de grupos sociais ergue suas vozes contrárias às injustiças e desafios enfrentados no dia a dia, com um dos direitos mais fundamentais garantidos pela Constituição: o direito à livre manifestação. Em 2025, a cidade registrou mais de 2,7 mil manifestações, refletindo o descontentamento em diversas áreas. Quase um quarto dessas mobilizações estava relacionado a reivindicações trabalhistas, evidenciando um panorama de insatisfação que vai além da mera coincidência com o evento esportivo.
Informes indicam que os protestos podem custar à Cidade do México cerca de 350 milhões de pesos a cada semestre, com especialistas sinalizando que esse valor é conservador, já que não considera os prejuízos logísticos e a queda nas vendas decorrentes das mobilizações. Com a Copa se aproximando, muitos grupos se unem em suas críticas ao evento, utilizando o próprio futebol como uma forma de protesto.
A prática de “cascaritas”, ou jogos de futebol de rua, tem sido um símbolo de resistência, transcendido pelas vozes de quem protesta. No dia 28 de março, durante um amistoso entre México e Portugal, diversas ações foram organizadas, com destaque para os grupos que combatem os despejos forçados e aqueles que buscam por pessoas desaparecidas. O ativista Jorge Verástegui, do coletivo “Hasta Encontrarles”, lembrou que, enquanto o país se organiza para a Copa, milhares de famílias ainda buscam por seus entes perdidos.
O ativo cenário de protestos representa um desafio significativo para as autoridades locais, que já demonstraram dificuldades em dialogar com os diversos grupos. Especialistas alertam que a resposta do governo optará entre ignorar as demandas sociais ou negociar soluções que equilibrem o bom andamento do evento esportivo com as justas reivindicações da população. A pressão política aumenta, especialmente de grupos organizados, como a Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação, que reivindica melhorias nas condições salariais e de trabalho.
A Copa do Mundo de 2026, portanto, se apresenta como um palco não apenas de celebração, mas também de resistência. Enquanto o mundo assiste aos jogos, o México luta para que suas vozes e demandas sociais não sejam abafadas pela euforia esportiva. O desafio estará em equilibrar a festa do futebol com as reais necessidades de seus cidadãos, um equilíbrio que, a um mês do evento, parece ainda difícil de alcançar.







