O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitiu um aviso contundente, afirmando que qualquer intervenção militar dos Estados Unidos no Irã será respondida de maneira severa. Ele declarou que as bases militares e portuárias norte-americanas, assim como os territórios ocupados, se tornariam alvos legítimos em caso de um ataque. Essa retórica inflamatória acontece em um contexto global tenso, com os Estados Unidos manifestando disposição em apoiar os manifestantes que lutam por direitos no Irã.
A crise econômica é o estopim das manifestações, que começaram a crescer em dezembro devido à desvalorização acentuada do rial – que perdeu quase 50% de seu valor em relação ao dólar – e uma inflação que já ultrapassa os 40%. Aumento nos preços de alimentos básicos e a corrupção endêmica alimentaram o descontentamento popular, levando a protestos em 25 das 31 províncias do país. O governo iraniano, por sua vez, tem tentado silenciar as vozes dissidentes, intensificando a repressão. A exigência por mudanças, especialmente a renúncia de Khamenei, torna-se cada vez mais explícita.
A situação se agrava com a restrição à liberdade de comunicação; um apagão na internet foi implementado, dificultando a troca de informações e a organização dos protestos. Essa medida, atribuída ao governo, visou controlar a narrativa e impedir a mobilização popular.
No cenário internacional, as sanções de países europeus foram revitalizadas, após alegações do Irã de não conformidade com o acordo nuclear estipulado em 2015. A inflação e a crescente desigualdade social contribuíram para um crescente sentimento de revolta entre a população, enquanto o líder supremo do Irã continuava a acusar os Estados Unidos de fomentar instabilidade no país, definindo os manifestantes como vândalos que agem em conluio com potências estrangeiras.
Se a repressão se intensificar e a pressão econômica não diminuir, o Irã poderá testemunhar um aumento ainda maior das hostilidades nas ruas e um fortalecimento das chamadas por reformas urgentes. Os próximos dias serão cruciais para entendermos até onde a população irá em busca de mudanças significativas em um regime que já se mostrou inflexível em suas posições.
