Protestos em mais de cem cidades francesas contra escolha de Macron para primeiro-ministro: “Golpe antidemocrático” ecoa nas ruas.

Neste sábado (7), mais de 100 cidades francesas foram palco de manifestações que expressaram a insatisfação popular com a indicação de Michel Barnier como primeiro-ministro pelo presidente Emmanuel Macron. Lideranças do bloco de esquerda, vencedor das eleições legislativas de julho, protestaram contra a quebra da tradição de que a coalizão mais votada indicaria o novo premier.

O líder do partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, convocou a população para uma “batalha de longo prazo” durante o protesto em Paris. Ele destacou a importância da democracia e da aceitação tanto das vitórias quanto das derrotas. O protesto foi marcado pela imposição de um clima de golpe durante a sua realização.

Com base em dados dos organizadores, a manifestação reuniu cerca de 300 mil pessoas em todo o país, sendo 160 mil somente na capital. No entanto, as autoridades estimaram um número menor, indicando a presença de 110 mil manifestantes em toda a França e 26 mil em Paris. Cinco pessoas foram detidas por crimes diversos, como porte de itens proibidos, uso de fogos de artifício e danos ao patrimônio público.

A indicação de Michel Barnier, um político integrante do partido Os Republicanos, de centro-direita, para o cargo de primeiro-ministro foi alvo de críticas por parte da esquerda. Mélenchon e seus seguidores reivindicavam que a tradição fosse seguida e que a coalizão mais votada nas urnas indicasse o novo premier, o que não foi respeitado por Macron.

As ruas de Paris foram palco de discursos inflamados contra o presidente Macron, cuja taxa de rejeição chega a 70%. Os manifestantes acusaram o governo de agir de forma antidemocrática e pediram a renúncia do presidente. Mélenchon, em um carro de som, prometeu um voto de censura ao novo governo na Assembleia Nacional e denunciou o suposto “golpe antidemocrático” perpetrado por Macron.

O clima de tensão política na França se intensifica com as manifestações e as críticas ao governo, indicando um cenário de instabilidade institucional e descontentamento popular com as decisões de Macron. As próximas semanas serão decisivas para o desfecho deste impasse político.

Sair da versão mobile