Protestos e Incêndios Marcam Abertura da Taxa de Turismo Sustentável em Angra dos Reis

Polêmica marca a Implementação da Taxa de Turismo Sustentável em Angra dos Reis

O primeiro dia de vigência da Taxa de Turismo Sustentável (TTS) em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, foi tudo, menos tranquilo. A medida, que gera controvérsias entre moradores e autoridades, começou sob um clima de tensão, evidenciado pela queima de totens da prefeitura na madrugada e a realização de manifestações durante todo o dia no cais da Vila do Abraão, na Ilha Grande.

Logo nas primeiras horas, a cena no cais foi de um cordão de barcos bloqueando a entrada da Vila do Abraão. Como consequência, as rotas de flexboat, que oferecem um serviço rápido entre Angra e outras localidades, como Conceição de Jacareí, foram interrompidas, enquanto as barcas operadas por uma empresa local continuaram funcionando, embora os manifestantes tentassem barrar os passageiros de desembarcar sem pagar a nova taxa.

Os protestos, que incluíram faixas e cartazes, ganharam ímpeto durante a tarde, quando um tumulto irrompeu no cais. De acordo com relatos de testemunhas, a confusão começou quando uma embarcação com policiais chegou ao local e, em meio ao estresse, fogos de artifício foram disparados por alguns manifestantes. Em um dos episódios mais alarmantes, um jovem foi arrastado por um homem armado, gerando um clima de insegurança e incerteza. Apesar da turbulência, os organizadores decidiram suspender os protestos à tarde.

Na madrugada anterior, um incêndio criminoso atingiu a estação do Abraão, em que dois homens encapuzados quebraram o vidro do local e atearam fogo a equipamentos, incluindo totens e catracas que serviriam para a cobrança da nova taxa. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas rapidamente, evitando feridos. A prefeitura de Angra classificou o ato como “criminoso” e iniciou investigações para identificar os responsáveis.

A 166ª Delegacia de Polícia (DP) já está em busca de imagens de câmeras de segurança e foi realizada uma perícia no local do incêndio, visando a elucidação dos fatos.

A nova taxa, considerada polêmica por diversos setores, prevê que todos os visitantes paguem um valor, que varia de acordo com a modalidade de transporte e duração da estadia. Para aqueles que desembarcarem em Angra, o custo inicial é de 5 Ufirs (R$ 24,80), podendo aumentar conforme a condição de permanência. Turistas que chegarem por outras cidades também enfrentam uma tarifa mais elevada.

O turismólogo Waldeck Tenório, que lida diretamente com o fluxo de visitantes, criticou a implementação da taxa, ressaltando a urgência em melhorar a infraestrutura e serviços da cidade, destacando problemas como o saneamento básico. Para ele, a cobrança cria barreiras adicionais para um turismo que já enfrenta desafios significativos.

A discussão sobre a taxa e sua implementação segue acirrada, com novos desdobramentos esperados enquanto as autoridades e a população tentam encontrar um equilíbrio que atenda tanto às necessidades de conservação do turismo sustentável quanto aos direitos dos cidadãos.

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