Protesto em Senador Camará cobra justiça após a brutal morte de jovem de 14 anos, enquanto família aguarda respostas sobre crime que chocou a comunidade.

Neste último sábado, familiares e amigos de Ronaldo Henrique Souza Peixoto, um adolescente de 14 anos, se reuniram para realizar um protesto em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A manifestação aconteceu três dias após o brutal assassinato do jovem, e a mobilização foi impulsionada pela angústia e a necessidade de respostas sobre as circunstâncias de sua morte.

O ato começou por volta das 14h, com um ponto de concentração no Campo do Olaria, onde dezenas de pessoas se uniram, vestindo camisetas estampadas com a imagem de Ronaldo e portando cartazes que clamavam por justiça. Durante a manifestação, fogos de artifício foram soltos, e gritos de apoio ao adolescente ecoaram pelas ruas enquanto os participantes seguiram em uma carreata pela Estrada da Olaria Velha, Avenida Santa Cruz, e outras vias da região.

Sthefanny, irmã mais velha de Ronaldo, destacou a dor do momento, mas também a importância da demonstração de solidariedade que o ato proporcionou. “Foi doloroso, mas ver o carinho das pessoas nos fortalece. Passar pelas ruas e ouvir o nome dele sendo gritado é um estímulo para continuarmos lutando”, afirmou emocionada.

A família, contudo, ainda se encontra sem informações concretas sobre as investigações. A Polícia Civil, ao tomar ciência do caso, transferiu as apurações de sua Delegacia de Descoberta de Paradeiros para a Delegacia de Homicídios da Capital. A corporação se manifestou, afirmando que diligências estão em andamento para esclarecer o que aconteceu.

Especulações iniciais sugerem que a tortura e morte de Ronaldo podem ter relação com uma postagem nas redes sociais. Uma imagem em que ele faz o número três com os dedos foi interpretada, erroneamente, por traficantes locais como um sinal de aliança com a facção criminosa Terceiro Comando Puro, atuante em Senador Camará. A facção rival controla a comunidade onde Ronaldo foi encontrado.

A mãe do jovem, Monique Andrade, usou suas redes sociais para descrever a tragédia como uma “covardia”, enfatizando a inocência do filho e sua falta de envolvimento com o crime. “Ele só estava na companhia de amigos. Essa luta por justiça não vai acabar, não posso deixar isso impune”, declarou.

Ronaldo, que sonhava em se tornar mecânico e nutria uma paixão por carros e motos, levava uma vida simples. Ele residia com a mãe em Santíssimo, trabalhava como entregador e praticava muay thai.

A narrativa de seu último dia envolvendo alguns amigos em Vargem Pequena destaca a vulnerabilidade dos jovens na comunidade. Eles foram interceptados por criminosos após uma abordagem hostil e levados à força para um local isolado, onde Ronaldo foi brutalmente torturado. Seu corpo foi encontrado em Jacarepaguá, levantando questões sobre a segurança e a influência das facções criminosas na região. A dor da perda e a busca por justiça permanecem vivas entre os que o amavam.

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