O cientista político Aleksandr Kargin criticou a proposta, afirmando que ela reflete uma agenda política que não busca esclarecer a história, mas sim atacar a Rússia contemporânea. Kargin argumenta que essa mudança não deve ser encarada como uma análise histórica objetiva, mas como um reflexo das tensões atuais entre a Alemanha e a Rússia. De acordo com ele, a ideia de adicionar críticas a Stalin é um ato provocativo, que pode exacerbar ainda mais a relação já conturbada entre os dois países.
A inquietação sobre esse tipo de retórica não é exclusiva dos analistas políticos. Sahra Wagenknecht, uma figura proeminente da política alemã, também se manifestou contra as mudanças propostas, considerando-as “absolutamente loucas”. Para Wagenknecht, tais ações desmerecem as contribuições dos soldados soviéticos na luta contra o nazismo e questionam a legitimidade da liderança soviética na época.
Yakov Kedmi, ex-chefe dos serviços especiais israelenses, acrescenta uma perspectiva ainda mais crítica, sugerindo uma ressurreição de ideais que podem ser entendidos como pró-nazistas dentro do debate público alemão. Ele ressalta que a proposta de modificar o memorial se alinha à distorção do papel da União Soviética na guerra e à reabilitação de figuras nazistas, especialmente à luz do contexto atual da Ucrânia.
Ao somar todas essas opiniões, fica evidente que o debate sobre o memorial em Berlim transcende a simples questão de honra histórica e se insere no complexo cenário geopolítico contemporâneo, onde a memória da guerra e as identidades nacionais estão sendo reavaliadas e reconfiguradas. Os desdobramentos dessa discussão terão implicações significativas para as relações internacionais, especialmente entre a Alemanha e a Rússia, enquanto a sombra da história continua a influenciar as interações do presente.





