Proposta de ex-ministro do Esporte visa incluir Banco Master no Minha Casa, Minha Vida sem vinculação à Caixa Econômica Federal e enfrenta desafios de regulamentação.

Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte durante o governo de Dilma Rousseff, esteve por trás de uma proposta que buscava integrar o Banco Master ao programa “Minha Casa, Minha Vida”. Sua intenção era implementar um modelo que permitisse ao banco operar sem qualquer subordinação administrativa ou financeira à Caixa Econômica Federal. A iniciativa foi apresentada ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2024, por meio de um ofício encaminhado ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.

No ofício, que abrangeu 16 páginas, Leyser, que atuava como diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos, destacou que sua empresa desenvolveu mecanismos operacionais em colaboração com o Banco Master, além de entidades como o Banco Digimais e o Banco Genial. A proposta foi discutida em 23 estados brasileiros, envolvendo mais de 1.200 gestores municipais, com o intuito de facilitar a construção de habitações em cidades menores.

Segundo Leyser, a participação de instituições financeiras privadas nesse contexto poderia melhorar consideravelmente a eficiência do programa, especialmente nas localidades com até 80 mil habitantes. Ele enfatizou que a modalidade de Oferta Pública poderia abrir novas oportunidades ao Ministério das Cidades, ajudando a acelerar a implementação do Novo Minha Casa, Minha Vida.

O ex-ministro argumentou que bancos privados têm uma estrutura mais ágil e flexível, além de serem capazes de oferecer soluções que atendam às necessidades imperativas do programa habitacional. No entanto, ele fez questão de salientar que a inclusão dos bancos privados deveria ser feita sem qualquer subordinação à Caixa Econômica, já que tal condição poderia inviabilizar a colaboração e desrespeitar a própria instituição.

Embora Leyser tenha pleiteado a participação do Banco Master de forma autônoma, ele reconheceu a importância da Caixa como parceira crucial no programa, afirmando que a intenção não era substituir a instituição pública, mas sim criar uma capacidade de execução que atuasse paralelamente.

Apesar da mobilização demonstrada, a proposta de Leyser encontrou resistência e acabou não progredindo, principalmente devido à falta de regulamentação. Em um desfecho do turbulento cenário financeiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 2025, após uma série de fraudes que culminaram em perdas de R$ 12,7 bilhões.

O Ministério das Cidades, ao ser consultado sobre o assunto, confirmou que o secretário Nacional de Habitação se reuniu com Leyser, mas a linha “Oferta Pública Sub-80” nunca foi regulamentada e careceu de dotação orçamentária. A busca por um contato com Leyser não obteve sucesso, mas o espaço permanece disponível para sua manifestação.

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