Promotor classifica chacina no DF como familicídio e refuta tentativa de defesa dos réus durante julgamento brutal que chocou a sociedade.

No contexto do julgamento de um dos crimes mais horrendos da história do Distrito Federal, o Promotor de Justiça Nathan Neto, do Ministério Público do DF, qualificou a chacina que ceifou a vida de dez membros da mesma família em 2023 como um caso de familicídio. Sua declaração, proferida no quarto dia do julgamento dos cinco réus envolvidos, reflete a gravidade e a premeditação do crime.

“Temos diante de nós uma ação orquestrada por meses, planejada nos mínimos detalhes. Foi uma verdadeira trama criminosa, onde cada elemento foi meticulosamente escolhido, desde o local até os veículos e as armas utilizadas”, afirmou o promotor. Para ele, o que ocorreu transcende a definição técnica de chacina. Ao qualificar o ato como familicídio, Neto enfatiza a magnitude e a brutalidade do crime, que repercute não apenas na vida das vítimas, mas que também deixa uma marca indelével na sociedade do Centro-Oeste.

O conceito de familicídio, embora pouco familiar para o público em geral, refere-se ao assassinato de membros da mesma família. “É algo monstruoso. Não existem palavras suficientes para expressar a magnitude de todo o horror que vivemos com esse caso”, declarou, reforçando a natureza excepcional e macabra da tragédia.

Durante seu discurso, Nathan Neto também fez uma crítica contundente aos réus, que, segundo ele, esqueceram a humanidade quando se tornaram cúmplices do mal. “Depois de três anos, é fácil vir aqui e mostrar tristeza, sabendo que a prisão pode resultar em longas sentenças. Na hora do crime, estavam cegos e surdos, persistindo em seu plano maligno até o fim”, disparou.

O promotor também destacou que as provas contra os réus são irrefutáveis, incluindo digitais e gravações que atestam o envolvimento deles nos crimes. “Como negar o envolvimento? As evidências estão por toda parte”, questionou, evidenciando a fragilidade das defesas que buscam atenuar as responsabilidades legais dos acusados.

O júri prossegue, e as defesas dos réus estão previstas para apresentar seus argumentos nos dias seguintes, enquanto a sociedade se debruça sobre o impacto de um crime que deixou cicatrizes profundas em uma família e no próprio tecido social da região.

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