Cibersegurança: A Inclusão Feminina Como Caminho Para a Transformação do Setor
Recentemente, um estudo alarmante revelou que mulheres ocupam menos de 25% dos postos de trabalho na cibersegurança global, com o Brasil apresentando números ainda mais preocupantes, onde apenas 17% da força de trabalho na área é composta por mulheres. Com um déficit estimado de 750 mil profissionais na cibersegurança brasileira, o cenário é desafiador, mas também aponta para oportunidades inexploradas.
A fim de reverter essa situação, a ONU instituiu o dia 23 de abril como o Dia das Meninas nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Essa data visa incentivar meninas e mulheres a se interessarem por carreiras no campo tecnológico, como é o caso do projeto METIS. Este projeto, coordenado pela professora Michele Nogueira, especialista em Ciência da Computação e docente na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), oferece um programa prático de cibersegurança a 35 alunas de escolas públicas de Belo Horizonte e Região Metropolitana.
A escolha do nome “METIS” não é casual; na mitologia grega, METIS representa a deusa da proteção. O projeto busca ativamente integrar mulheres na cibersegurança, reconhecendo que a preocupação com a proteção é uma característica intrínseca feminina que pode trazer novas e valiosas perspectivas para o setor. Michele Nogueira destaca que o objetivo do projeto vai além de aumentar a quantidade de profissionais no campo; trata-se de transformar uma cultura predominantemente masculina, que muitas vezes impede o pleno desenvolvimento de talentos femininos.
Ao longo de três anos, o METIS atua em múltiplas frentes: desde a formação técnica e a construção de redes de mentoria até a formulação de políticas públicas que promovam a inclusão feminina na cibersegurança, uma profissão com alta demanda e remuneração atrativa. A iniciativa também busca associar jovens ao recém-criado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial para Cibersegurança (INCT-IACiber), que terá sua sede na UFMG e cujo foco é avançar no conhecimento dessas áreas.
Michele reflete sobre sua própria jornada, reconhecendo que é comum que mulheres se sintam intimidadas em ambientes dominados por homens. “É uma questão de aprendizado contínuo e posicionamento”, comenta. O trabalho do projeto METIS não apenas fortalece a cibersegurança, mas atua como um motor de inclusão social, demonstrando que essa diversidade é essencial para a inovação.
Em resumo, as iniciativas voltadas para a inclusão feminina na cibersegurança estão ganhando cada vez mais importância. O projeto METIS representa um passo significativo para mudar essa realidade, mostrando que o futuro da cibersegurança pode ser moldado por vozes e soluções diversificadas.







