Projeto de Lei Complementar cria programa de renegociação de dívidas com descontos de até 60% para contribuintes, incluindo MEIs.

A Câmara dos Deputados está analisando o Projeto de Lei Complementar (PLP) 4/24, que propõe a criação de um programa de renegociação de dívidas de contribuintes com a União, autarquias e fundações. O projeto também inclui a possibilidade de regularização de débitos para Microempreendedores Individuais (MEI) sem alteração no regime de tributação, desde que estejam em dia com os pagamentos.

Uma das medidas previstas no programa é a opção de pagamento à vista, sem multas e juros, ou parcelado em até 180 vezes, com descontos de 60% nas multas e 25% nos juros. Para os MEIs, as condições são ainda mais favoráveis, com redução de 30% no valor total da dívida para pagamento à vista, ou parcelamento em até 12 vezes sem acréscimos.

O programa abrange débitos referentes a eventos ocorridos até 31 de dezembro de 2023, com parcelas mínimas de R$ 200. Além disso, os contribuintes poderão utilizar créditos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou precatórios federais para quitar ou amortizar as dívidas.

No entanto, é importante ressaltar que ao optar pelo parcelamento, o contribuinte reconhece a dívida apenas dos débitos parcelados. Caso deixe alguma parcela em aberto, perderá o direito ao parcelamento e estará sujeito à cobrança. As parcelas pagas com até 30 dias de atraso não serão consideradas em aberto.

Segundo o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), autor da proposta, o Brasil enfrenta um cenário de crescente número de processos tributários sem perspectivas de resolução a curto prazo, o que prejudica tanto os contribuintes quanto o Poder Público com a redução da arrecadação.

O PLP 4/24 ainda precisa ser analisado pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para o Plenário. A proposta visa trazer soluções para a inadimplência dos pequenos negócios, especialmente dos MEIs, em meio ao cenário de desaceleração econômica e aumento da inflação em 2023.

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