A escolha do público-alvo não foi acidental. Conforme explica a professora Silveira, pessoas transgênero são particularmente vulneráveis ao preconceito e à discriminação, inclusive dentro do sistema de saúde. Esta marginalização resulta frequentemente em um atendimento inadequado, quando não completamente negligenciado, que deixa marcas profundas não apenas físicas, mas também psicológicas.
Para formular o projeto, foi realizada uma pesquisa detalhada sobre as experiências da população trans no Sistema Único de Saúde (SUS). A conclusão foi clara: há uma necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e inclusivas. O estudo serviu como base para o desenvolvimento de uma proposta de atendimento que não só se compromete com a qualidade técnica, mas também com a humanização no trato dos pacientes.
Os atendimentos são realizados em parceria com o Centro de Cidadania LGBT Hanna Suzart. Este centro é um ponto de apoio e recursos vitais para a comunidade LGBT, oferecendo um espaço seguro onde as pessoas podem receber cuidados sem medo de julgamento. A iniciativa também foi contemplada pelo edital de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), o que possibilitou a continuidade e expansão dos serviços oferecidos.
A professora Silveira, doutora em odontologia, enfatiza que o tratamento humanizado é essencial na recuperação da saúde bucal dessas pessoas. O preconceito e a discriminação sofridos no dia a dia agravam a dificuldade de acesso a serviços básicos de saúde, reforçando a importância de um atendimento que respeite e valorize a identidade de gênero dos pacientes.
O projeto da UFF não apenas oferece cuidados odontológicos, mas também serve como um modelo a ser seguido por outras instituições. Ao integrar pesquisa acadêmica e prática comunitária, é possível gerar resultados que transcendem o consultório, influenciando políticas públicas e combatendo a marginalização sistêmica.
Dessa forma, a proposta cria um ciclo virtuoso: melhora a qualidade de vida dos indivíduos atendidos e, ao mesmo tempo, fornece dados e evidências que sustentam a implementação de novas políticas públicas. Em um cenário onde a discriminação ainda é uma barreira significativa ao acesso à saúde, a iniciativa da UFF demonstra que é possível transformar vidas com empatia, ciência e comprometimento.





