Proibido por Bolsonaro, PL se Alia ao PT em São Luís na Candidatura de Duarte Júnior

Em um movimento inesperado, as eleições municipais de São Luís, no Maranhão, se tornaram palco de um confronto político que desafia as diretrizes partidárias do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL), de Bolsonaro, formaram uma coligação para apoiar a candidatura do deputado federal Duarte Júnior (PSB), cuja chapa foi oficialmente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quinta-feira, 1º de setembro.

Apesar das instruções explícitas de Bolsonaro proibindo alianças com partidos de esquerda, o PL local parece seguir uma trajetória diversa. Em um vídeo divulgado recentemente, o ex-presidente manifestou sua indignação ao lado do deputado federal Zucco (PL-RS), afirmando que tais coligações vão contra os princípios do partido e devem ser desfeitas imediatamente.

Segundo Bolsonaro, sua aliança com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, previa a adesão estrita a compromissos políticos alinhados à direita. Ele destacou que mais de 2 mil candidatos a prefeito e centenas de vereadores do PL estão desrespeitando essas diretrizes em vários municípios, ao formarem alianças com partidos como PT, PCdoB e PSOL.

Em São Luís, Duarte Júnior terá Isabelle Passinho, do PT, como sua vice na chapa. Fontes internas do PL indicam que circula uma proibição informal contra apoios a candidaturas onde o prefeito ou vice seja filiado ao PT. No entanto, a coligação que apoia Duarte inclui não só o PT e o PL, mas também outros sete partidos: PSDB, Cidadania, Avante, PRD, Podemos, PP e União Brasil.

Duarte ainda declarou ao TSE possuir R$ 641.602,45 em bens. Ele conta com o apoio do ex-governador do Maranhão e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, conhecido por seus embates com políticos bolsonaristas durante sua gestão como ministro da Justiça do governo Lula.

O presidente do PL no Maranhão, ex-deputado estadual Hélio Soares, afirmou que o apoio a Duarte Júnior não está completamente definido. Segundo ele, está prevista uma reunião com Valdemar Costa Neto em Brasília na próxima quinta-feira, 15 de setembro, para discutir a viabilidade dessa coligação. “Queremos evitar qualquer tumulto no processo da direita, principalmente no nosso Estado”, declarou.

Interlocutores dos dois partidos no Maranhão atribuem a união de forças em torno de Duarte Júnior a uma articulação política promovida pelo governador Carlos Brandão (PSB). Antes das eleições de 2022, Brandão foi crucial ao unir partidos de diferentes ideologias, evitando a polarização extrema que caracteriza a política nacional.

A coligação de Duarte é ainda mais relevante dada a falta de diálogo entre o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o PL. Braide, que busca a reeleição, é apoiado pelo MDB e pelo Republicanos, distanciando-se de partidos de esquerda e também do PL de Bolsonaro.

Este cenário revela as complexidades e contradições das alianças políticas locais, que frequentemente desafiam a lógica das disputas nacionais, enfatizando a dinâmica multi-partidária que caracteriza a política brasileira.

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