Apesar das instruções explícitas de Bolsonaro proibindo alianças com partidos de esquerda, o PL local parece seguir uma trajetória diversa. Em um vídeo divulgado recentemente, o ex-presidente manifestou sua indignação ao lado do deputado federal Zucco (PL-RS), afirmando que tais coligações vão contra os princípios do partido e devem ser desfeitas imediatamente.
Segundo Bolsonaro, sua aliança com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, previa a adesão estrita a compromissos políticos alinhados à direita. Ele destacou que mais de 2 mil candidatos a prefeito e centenas de vereadores do PL estão desrespeitando essas diretrizes em vários municípios, ao formarem alianças com partidos como PT, PCdoB e PSOL.
Em São Luís, Duarte Júnior terá Isabelle Passinho, do PT, como sua vice na chapa. Fontes internas do PL indicam que circula uma proibição informal contra apoios a candidaturas onde o prefeito ou vice seja filiado ao PT. No entanto, a coligação que apoia Duarte inclui não só o PT e o PL, mas também outros sete partidos: PSDB, Cidadania, Avante, PRD, Podemos, PP e União Brasil.
Duarte ainda declarou ao TSE possuir R$ 641.602,45 em bens. Ele conta com o apoio do ex-governador do Maranhão e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, conhecido por seus embates com políticos bolsonaristas durante sua gestão como ministro da Justiça do governo Lula.
O presidente do PL no Maranhão, ex-deputado estadual Hélio Soares, afirmou que o apoio a Duarte Júnior não está completamente definido. Segundo ele, está prevista uma reunião com Valdemar Costa Neto em Brasília na próxima quinta-feira, 15 de setembro, para discutir a viabilidade dessa coligação. “Queremos evitar qualquer tumulto no processo da direita, principalmente no nosso Estado”, declarou.
Interlocutores dos dois partidos no Maranhão atribuem a união de forças em torno de Duarte Júnior a uma articulação política promovida pelo governador Carlos Brandão (PSB). Antes das eleições de 2022, Brandão foi crucial ao unir partidos de diferentes ideologias, evitando a polarização extrema que caracteriza a política nacional.
A coligação de Duarte é ainda mais relevante dada a falta de diálogo entre o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o PL. Braide, que busca a reeleição, é apoiado pelo MDB e pelo Republicanos, distanciando-se de partidos de esquerda e também do PL de Bolsonaro.
Este cenário revela as complexidades e contradições das alianças políticas locais, que frequentemente desafiam a lógica das disputas nacionais, enfatizando a dinâmica multi-partidária que caracteriza a política brasileira.






