Profissionais de dublagem criticam uso de inteligência artificial em audiência na Câmara dos Deputados: “Defesa da cultura nacional”

Profissionais do segmento de dublagem se manifestaram em uma audiência pública conjunta das comissões de Cultura e de Trabalho da Câmara dos Deputados, realizada nesta quinta-feira (29), para criticar o uso de vozes geradas por inteligência artificial em trabalhos de dublagem. Segundo os profissionais presentes, essa nova tecnologia está substituindo postos de trabalho e comprometendo aspectos culturais da atividade.

Ângela Couto, representante do setor de dublagem em São Paulo, destacou que a defesa do direito autoral, da cultura brasileira e da soberania nacional são fundamentais nessa discussão. Ela ressaltou a diversidade linguística construída pelo povo brasileiro e alertou que a automação do processo de dublagem poderia representar uma forma de colonização. Para ela, a diversidade linguística é uma conquista que não pode ser ignorada.

Durante a audiência, Fábio Azevedo, do Movimento Dublagem Viva, enfatizou a importância da boa dublagem em conectar e emocionar o público, além de citar frases icônicas de personagens dublados no Brasil que foram prontamente reconhecidas pelos presentes. Ele também apoiou a aprovação do Projeto de Lei 2338/23, que prevê a remuneração pelos direitos de autor quando uma obra é utilizada para alimentar uma inteligência artificial.

O debate sobre o impacto da inteligência artificial na dublagem foi proposto por deputados do Psol, que defendem a proteção do patrimônio cultural imaterial. A deputada Luciene Cavalcante solicitou ao Ministério da Cultura a elaboração de um projeto de lei para tornar a dublagem patrimônio imaterial da cultura brasileira, visando proteger a diversidade cultural e a democracia.

César Morais, representante do ministério, alertou para a precarização e práticas abusivas de mercado enfrentadas pelos dubladores, que muitas vezes são obrigados a assinar contratos com cláusulas abusivas. Deryk Santana, diretor de políticas para os trabalhadores da cultura, ressaltou a importância de mudanças legislativas para proteger o trabalho dos dubladores e preservar a cultura nacional.

O deputado estadual Carlos Giannazi informou sobre projetos em tramitação que buscam reconhecer a dublagem como patrimônio cultural imaterial em níveis estadual e municipal. Ele destacou que a inteligência artificial apenas utiliza um banco de dados já existente, produzido pelos dubladores, e defendeu a valorização do trabalho desses profissionais na construção de memórias e identidades.

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