Com formação acadêmica extensa, Edu é doutora em literatura, mestre em linguística aplicada e mestranda em políticas públicas para infância e juventude pela Universidade de Brasília (UnB). Sua trajetória na educação começou em 2003, e seu trabalho nos Centros Interescolares de Línguas (CIL) do DF a preparou para o desafio de lecionar em um ambiente tão peculiar como o sistema prisional.
A docente atua na Penitenciária do Distrito Federal (PDF) I, no Complexo Penitenciário da Papuda, dando aulas de inglês para alunos de diferentes idades, entre 18 e 60 anos. Mesmo enfrentando obstáculos como a separação física dos alunos por uma grade e a supervisão constante dos policiais penais, Edu destaca a dedicação e o interesse dos custodiados em aprender.
O relacionamento da professora com os alunos é marcado pelo respeito mútuo e pela troca de conhecimento. Os presos são descritos por Edu como os melhores alunos de toda a sua carreira, demonstrando um engajamento e interesse nas aulas que muitas vezes não é encontrado em outras realidades educacionais.
Apesar das dificuldades enfrentadas por ser uma mulher trans em um ambiente marcado pelo preconceito e pelo desconhecimento, Edu é vista como um presente pelos colegas e diretoras do CED 01. Sua história de luta e coragem inspira não apenas os alunos, mas também os profissionais da educação que atuam no sistema prisional.
Em um país onde a educação ainda precisa avançar no quesito de inclusão e respeito às diversidades, a presença de Edu Dias como professora no sistema penitenciário representa um passo significativo rumo a uma sociedade mais justa e igualitária. Sua luta por visibilidade e reconhecimento é um exemplo de superação e comprometimento com a educação para todos, independentemente de sua identidade de gênero.
