Professora Angelita Habr-Gama, ícone da coloproctologia brasileira, morre aos 94 anos após ampla contribuição à medicina e avanços no tratamento do câncer.

Professora e Pioneira da Coloproctologia Brasileira, Drª Angelita Habr-Gama Falece aos 94 Anos

A medicina brasileira perdeu uma de suas mais importantes referências neste sábado, com o falecimento da Professora Doutora Angelita Habr-Gama, aos 94 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde a renomada médica estava internada desde 6 de maio.

Natural da Ilha de Marajó, no Pará, e filha de imigrantes libaneses, Angelita mudou-se para São Paulo aos 6 anos. Desde sua formação em medicina pela Universidade de São Paulo (FMUSP), aos 19 anos, sua trajetória foi marcada por inovações e contribuições significativas para o campo da coloproctologia e, em especial, para o tratamento do câncer de reto. Ao longo de sua carreira, ela se destacou como professora, pesquisadora e cirurgiã, atuando de forma notável no Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A jornada profissional de Angelita incluiu uma série de conquistas acadêmicas, como a obtenção do título de livre-docente na FMUSP e a liderança na disciplina de coloproctologia do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas. Pioneira em sua área, ela foi a primeira mulher a ser titular em cirurgia nesse renomado hospital e foi reconhecida internacionalmente, sendo a primeira brasileira aceita na prestigiada Sociedade Americana de Cirurgia, além de ser premiada pela Sociedade Europeia de Cirurgia.

A professora também deixou sua marca como presidente da Sociedade Brasileira e da Sociedade Latino-Americana de Coloproctologia e atuou como vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Em 2020, enfrentou uma internação desafiadora de 50 dias em UTI devido à Covid-19, mas, com determinação, voltou rapidamente a atender e operar.

Angelita Habr-Gama foi reconhecida por suas contribuições na pesquisa e na prática médica, tendo publicado mais de 200 artigos científicos e recebido mais de 50 prêmios internacionais. Em 2023, ela se tornou a primeira mulher a receber a Medalha Bigelow, honraria conferida pela Sociedade de Cirurgia de Boston, destacando seu impacto na educação e na ciência cirúrgica.

Entre suas inovações, destaca-se a estratégia “Watch and Wait”, uma abordagem que oferece acompanhamento rigoroso a pacientes com câncer distal do reto que apresentaram respostas clínicas completas a tratamentos neoadjuvantes, evitando a necessidade de cirurgias drásticas.

A partir dessas realizações e legados, fica evidente o impacto profundo que a Professora Angelita teve em sua área e na vida de incontáveis pacientes. Sua partida representa uma grande perda para a medicina, mas seu legado perdurará por gerações.

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