Os relatos de familiares das vítimas, que terão suas identidades protegidas, revelam uma dinâmica alarmante de abusos perpetrados sob a falsa aparência de atividades lúdicas. Durante as aulas, o professor dividia as crianças em grupos de meninos e meninas e incentivava as alunas a realizarem exercícios, como “colocar os pés atrás da cabeça” ou fazer a posição de “ponte”. O que parecia ser uma simples atividade se mostrou benévolo, mas, na prática, escondia um comportamento inaceitável.
O caso veio à tona quando as meninas começaram a demonstrar desconforto nas conversas em casa. Uma das mães compartilhou que sua filha havia inicialmente considerado a aula normal, até que, em uma conversa mais aprofundada, revelou um incidente preocupante. “Ela contou que, durante uma brincadeira, ao tentar abraçar o professor, ele apertou sua bunda de forma inapropriada”, relatou.
Em uma reunião convocada pela direção da escola, a criança ofereceu mais detalhes sobre as ações do professor, mencionando que ele filmava as alunas enquanto estavam em posições vulneráveis. O depoimento desencadeou uma série de relatos semelhantes de outras vítimas, reforçando a gravidade da situação.
Outro depoimento, feito por Renata Santos, tia de uma das alunas, trouxe à tona uma nova revelação, onde a menina contou sobre toques indevidos, relatando que o professor havia inserido a mão dentro de seu short. Assim que tomou conhecimento dos abusos, Renata imediatamente buscou ajuda da escola e se dirigiu à delegacia.
Outras mães também começaram a se mobilizar, confirmando que suas filhas tinham passado por experiências similares, o que revelou um padrão preocupante. Nesse cenário, a indignação de muitas mães se fez presente, especialmente pelo sentimento de traição e quebra de confiança em relação ao ambiente escolar.
A denúncia foi formalizada na 39ª DP (Pavuna), onde a polícia conseguiu capturar o professor em sua residência, localizada em Campo Grande, na Zona Oeste. Em resposta à gravidade da situação, a escola convocou uma reunião com os responsáveis e informou que o professor foi demitido por justa causa. Além disso, a instituição se comprometeu a fornecer suporte psicológico às alunas afetadas e acompanhou os pais até a delegacia.
Enquanto as famílias lidam com o trauma causado por esses eventos, sentimentos de desconfiança e insegurança pairam sobre os lares, revelando que, mesmo em ambientes considerados seguros, o risco de abusos ainda pode estar presente. A educação e a conscientização sobre toques inapropriados foram ressaltadas como medidas essenciais para que as crianças possam se expressar e proteger-se em situações futuras. O estabelecimento de ensino, até o momento, não respondia às solicitações da reportagem.
