Cibelle Bucci relata que os incidentes começaram em 2022, quando seu filho tinha apenas 12 anos. O primeiro episódio ocorreu em um local que deveria ser seguro: a sala de leitura. “Ele fechou a porta, deu um beijo no meu filho e tocou em seus órgãos genitais. Meu filho ficou paralisado, era completamente inocente”, narra a mãe, que descreve o sofrimento e a confusão enfrentados por seu filho. Após esse ato, o professor começou a convidar o garoto para sua casa, e a confiança da família depositada nele, por ser um educador respeitado na comunidade surda, apenas agravou a situação.
A conscientização do adolescente sobre a gravidade dos abusos não veio até março deste ano, quando assistiu a uma palestra sobre abuso sexual. Durante uma conversa com um colega, descobriu que também havia sido vítima do mesmo professor. “O modus operandi era o mesmo”, observa Cibelle, alarmada com a descoberta.
Após expor o caso nas redes sociais, a mãe começou a receber mensagens de outros indivíduos da comunidade surda, revelando experiências similares. Entre eles estava Charlotte Elvira Carvalho, ex-aluna do professor, que narrou um episódio ocorrendo em 2016, quando tinha 15 anos. Charlotte descreve como, durante uma carona, o professor a tocou de maneira inapropriada. “Estava angustiada, queria sair do carro”, recorda, ressaltando a dificuldade de relatar o que passou devido à notoriedade do educador.
O professor, Sandro dos Santos Pereira, conhecido por sua atuação como intérprete de Libras na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, também se candidatou a deputado federal em 2014. Charlotte, com 27 anos atualmente, explica que decidiu formalizar sua denúncia porque acredita que o comportamento do professor não mudou.
Outros relatos emergiram, incluindo o testemunho de um homem que, há mais de duas décadas, teria testemunhado casos de abuso envolvendo o professor. Apesar das denúncias correndo nas redes sociais e fora delas, Sandro não se manifestou sobre as acusações.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ao ser questionada sobre o caso, confirmou ter aberto um processo de apuração interna e informou que o professor não faz mais parte do quadro de funcionários da Rede Municipal de Ensino. Além disso, garantiu que a transferência do estudante afetado para outra unidade foi realizada e que as autoridades policiais estão acompanhando as investigações.
