Professor de Libras é acusado de abuso sexual por alunos surdos; mãe denuncia caso que pode envolver várias vítimas em São Paulo.

Um professor de Libras, associado à Prefeitura de São Paulo, está no centro de uma grave denúncia de abuso sexual, envolvendo múltiplas vítimas entre seus alunos surdos. As alegações emergiram quando a mãe de um adolescente de 15 anos decidiu compartilhar publicamente as experiências traumáticas que seu filho passou.

Cibelle Bucci relata que os incidentes começaram em 2022, quando seu filho tinha apenas 12 anos. O primeiro episódio ocorreu em um local que deveria ser seguro: a sala de leitura. “Ele fechou a porta, deu um beijo no meu filho e tocou em seus órgãos genitais. Meu filho ficou paralisado, era completamente inocente”, narra a mãe, que descreve o sofrimento e a confusão enfrentados por seu filho. Após esse ato, o professor começou a convidar o garoto para sua casa, e a confiança da família depositada nele, por ser um educador respeitado na comunidade surda, apenas agravou a situação.

A conscientização do adolescente sobre a gravidade dos abusos não veio até março deste ano, quando assistiu a uma palestra sobre abuso sexual. Durante uma conversa com um colega, descobriu que também havia sido vítima do mesmo professor. “O modus operandi era o mesmo”, observa Cibelle, alarmada com a descoberta.

Após expor o caso nas redes sociais, a mãe começou a receber mensagens de outros indivíduos da comunidade surda, revelando experiências similares. Entre eles estava Charlotte Elvira Carvalho, ex-aluna do professor, que narrou um episódio ocorrendo em 2016, quando tinha 15 anos. Charlotte descreve como, durante uma carona, o professor a tocou de maneira inapropriada. “Estava angustiada, queria sair do carro”, recorda, ressaltando a dificuldade de relatar o que passou devido à notoriedade do educador.

O professor, Sandro dos Santos Pereira, conhecido por sua atuação como intérprete de Libras na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, também se candidatou a deputado federal em 2014. Charlotte, com 27 anos atualmente, explica que decidiu formalizar sua denúncia porque acredita que o comportamento do professor não mudou.

Outros relatos emergiram, incluindo o testemunho de um homem que, há mais de duas décadas, teria testemunhado casos de abuso envolvendo o professor. Apesar das denúncias correndo nas redes sociais e fora delas, Sandro não se manifestou sobre as acusações.

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ao ser questionada sobre o caso, confirmou ter aberto um processo de apuração interna e informou que o professor não faz mais parte do quadro de funcionários da Rede Municipal de Ensino. Além disso, garantiu que a transferência do estudante afetado para outra unidade foi realizada e que as autoridades policiais estão acompanhando as investigações.

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