Professor da FGV Refuta Tese dos EUA Contra Pix e Destaca Benefícios do Sistema de Pagamento Global

Nos últimos dois dias, Washington foi palco de uma audiência pública significativa, onde representantes do governo dos Estados Unidos e do Brasil debateram a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A discussão girou em torno de alegações de práticas comerciais desleais praticadas pelo Brasil, envolvendo principalmente o sistema de pagamentos instantâneo, o Pix.

O professor Gustavo Pessoa, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estava entre os participantes e utilizou a oportunidade para desafiar a fundamentação da proposta de tarifas. De acordo com o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), as tarifas seriam justificadas pela suposta vantagem competitiva que o Pix proporciona às empresas brasileiras. Entretanto, Pessoa argumentou que esta visão está errada, já que a ampla adoção do sistema revela que tanto empresas nacionais quanto internacionais se beneficiam dele.

Durante seu discurso, o professor destacou que a emissão de cartões de crédito no Brasil dobrou desde a introdução do Pix, refutando a ideia de que o novo sistema prejudicou as operadoras de cartões. Ele afirmou que as duas formas de pagamento são complementares e que empresas norte-americanas de tecnologia também foram beneficiadas pela infraestrutura de pagamentos do Brasil.

A audiência também teve momentos de acaloramento, especialmente quando o senador Flávio Bolsonaro fez sua apresentação. Chegando atrasado, ele trouxe um discurso marcado por indicações políticas e acusações ao governo brasileiro, contrastando com a abordagem técnica predominante nas discussões. Seu discurso, que envolveu críticas ao governo atual em relação à influência da China e à corrupção, deixou membros da mesa da audiência desconfortáveis, segundo análises de Pessoa.

No que diz respeito à análise feita pelos representantes dos Estados Unidos, Pessoa percebeu um estudo prévio cuidadoso do material apresentado, indicando que a decisão final, embora técnica, também poderia estar sujeita a influências políticas. O especialista comparou o Pix ao sistema de pagamentos UPI, desenvolvido na Índia, destacando a rapidez da adoção brasileira e seu impacto positivo na inclusão financeira.

Por fim, Pessoa enfatizou que a digitalização dos meios de pagamento é uma tendência irreversível e que os Estados Unidos têm muito a aprender com a experiência brasileira nesse campo. Ele reiterou que, independentemente das tarifas, a transformação que o Pix representa para as finanças no Brasil não pode ser ignorada.

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