Produto cinematográfico sobre Bolsonaro tem custo declarado de R$ 75 milhões; investigações levantam suspeitas de desvio de verba pública na produção.

A produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou um investimento total de R$ 75 milhões (cerca de US$ 13,3 milhões) no projeto, uma quantia que suscita questionamentos devido a supostas irregularidades financeiras associadas à produção. A obra, intitulada “Dark Horse”, está prevista para lançamento em setembro de 2026 e traz à tona um cenário complexo que envolve a movimentação de recursos em meio a investigações de corrupção.

De acordo com informações recentes, a Go Up Entertainment anexa ao processo jurídico um laudo de perícia privada que foi solicitado pela própria produtora. Essa perícia revela que parte dos recursos, aproximadamente R$ 54,2 milhões, foi utilizada nos Estados Unidos, enquanto R$ 20,9 milhões foram gastos no Brasil. É relevante salientar que o orçamento inicial aprovado para o filme era de R$ 89,7 milhões, uma quantia que se mostra significativamente inferior à soma que teria sido negociada pelo senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso.

A Polícia Civil de São Paulo está averiguando a possibilidade de desvio de recursos de um contrato de R$ 143 milhões, estabelecido com o Instituto Conhecer Brasil. Esse contrato tinha como objetivo a instalação de pontos públicos de Wi-Fi na capital paulista, e os indícios sugerem que os recursos destinados a ele possam ter sido realocados para financiar a produção do filme. A prefeitura, por sua vez, afirma ter resolvido as questões apontadas e solicitou a devolução de quase R$ 1 milhão de valores supostamente irregulares.

Além disso, em uma investigação paralela, surgiram relatos de que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro, estaria administrando as finanças da produção cinematográfica. É apontado que ele solicitou a transferência de R$ 131 milhões de Vorcaro, mas os registros oficiais indicam que apenas R$ 61 milhões foram efetivamente enviados entre fevereiro e maio de 2025. Essa situação levou a Polícia Federal a investigar se esses fundos foram usados para cobrir despesas pessoais de Eduardo nos Estados Unidos, algo que ele nega categoricamente.

Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou um pedido para proibir a exibição do filme, atendendo à argumentação de que o autor da ação não tinha legitimidade para impetrar tal solicitação, uma vez que não reside em Minas Gerais, onde Flávio Bolsonaro é candidato à presidência. Assim, o desenrolar dessa cinebiografia não apenas coloca em pauta questões de financiamento e corrupção, mas também as dinâmicas políticas que cercam a figura de Jair Bolsonaro e seus familiares nas vésperas da próxima eleição.

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