
O ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, que é primo do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), foi preso preventivamente nesta sexta-feira (4), em Cuiabá. Paulo é suspeito de ordenar grampos clandestinos operados pela Polícia Militar no estado. Ele foi levado para a sede da Polinter, na capital, onde prestou depoimento.
Por meio de assessoria, Paulo Taques afirma que não tem participação no esquema e nem ordenou que as interceptações fossem feitas pela PM. Em nota, ele diz ainda que não obstruiu as investigações ou agiu de forma a estimular a ocultação e destruição de provas, como aponta a Justiça na determinação da prisão, diz o G1.
Os advogados do ex-secretário informaram que ele foi levado para o Fórum de Cuiabá, onde deve passar por audiência de custódia. Como tem ensino superior, ele deve ser levado para o Centro de Custódia da capital. A defesa informou que deve entrar com um pedido de revogação da prisão na Justiça.
O esquema foi denunciado em uma reportagem do Fantástico em maio deste ano. Segundo a denúncia, mais de 100 pessoas tiveram as conversas grampeadas, entre elas, políticos de oposição ao atual governo estadual, advogados, médicos e jornalistas. Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas. O resultado dela, porém, nunca foi informado pelo governo.
Justificativa da prisão
A prisão de Paulo Taques foi determinada pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, relator no órgão sobre a investigação dos grampos clandestinos. A decisão foi assinada na quinta-feira (3) e cumprida nesta sexta-feira.
No mandado de prisão, o desembargador afirma que, mesmo em liberdade, o ex-secretário “vem buscando, de todas as formas, interferir diretamente na apuração dos fatos, mediante a utilização dos meios de comunicação, sobretudo pelo forte prestígio que ainda possui perante a imprensa de uma forma geral, ou, quiçá, de espaços decorrentes de suas relações com o governo”.
Paulo Taques, que é advogado, deixou o comando da Casa Civil em maio deste ano. À época, ele alegou que voltaria a se dedicar à advocacia e que reassumiria o papel de advogado pessoal de Pedro Taques, primo dele.
No entanto, conforme o magistrado, apesar de não exercer mais o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques ainda tem grande prestígio no estado. “Paulo Taques goza de grande prestígio no âmbito do Poder Executivo estadual, não apenas pelo grau de parentesco mantido com o governador [primo], mas, também, por ter sido, durante anos, seu homem de confiança”, diz, no mandado de prisão.
Além do ex-secretário, estão presos por envolvimento no esquema o coronel Zaqueu Barbosa, os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o cabo Gerson Correa Junior. Eles foram presos entre maio e junho deste ano.
“Os mesmos argumentos aduzidos por ocasião da prisão preventiva de vários policiais militares também se aplicam ao caso em apreço, máxime porque há fortíssimos indícios da ligação entre Paulo Taques com o grupo criminoso formado para implantação de diversas escutas telefônicas ilegais”, diz trecho da decisão.
04/08/2017
