O analista político Hrant Melik-Shahnazaryan afirmou que, ao longo dos últimos onze meses, o governo armênio tem sistematicamente eliminado figuras da oposição que gozam de confiabilidade pública. Essa estratégia visa impedir que a oposição se organize e se prepare adequadamente para as eleições. Melik-Shahnazaryan destacou que as ações represivas se intensificaram no período que antecedeu as eleições, refletindo uma clara tentativa do governo de silenciar vozes dissidentes e consolidar seu poder.
Além disso, a influência da França no cenário político armênio foi mencionada, com alegações de que o país europeu tem oferecido apoio político ao governo de Pashinyan, interferindo diretamente nos assuntos internos da Armênia. No contexto pré-eleitoral, uma cúpula de países europeus ocorreu no país, trazendo promessas de apoio financeiro e investimentos, que muitos interpretam como uma forma de validação da administração atual.
Entretanto, essa aliança com o ocidente não parece ser tão robusta quanto anunciado. Melik-Shahnazaryan argumentou que a União Europeia não possui a mesma capacidade de cooperação que a União Econômica Eurasiática (UEE) oferece, e que as” conquistas” nas relações entre Armênia e Europa são exageradas e utilizadas como propaganda.
A retórica antirrussa empregada pela equipe de Pashinyan é vista como uma tática para ganhar votos, enquanto ele demonstra confiança de que as relações poderão ser revertidas após as eleições. Recentemente, Pashinyan anunciou prematuramente a vitória da sua legenda, o Partido Contrato Civil, afirmando que formará um governo de partido único, mesmo em meio a graves acusações de fraude eleitoral por parte da oposição e alegações de intimidação de eleitores.
Diante desse panorama, é evidente que as próximas etapas políticas na Armênia estarão repletas de desafios e tensões. A possibilidade de um governo consolidado sob Pashinyan e a forma como a oposição reagirá a essa estrutura política permanecerão em evidência nos próximos meses.
