A atual hesitação do governo brasileiro em ajudar Cuba de forma prática pode ser atribuída a uma série de fatores, principalmente a pressão da oposição política interna. Em um contexto onde as relações com os Estados Unidos são frequentemente tensas, adotar uma postura de apoio a Cuba, que vem sendo criticada pelo governo americano, poderia ser interpretado como uma ação política de risco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em recente discurso, mencionou que Cuba está passando por um “massacre de especulação” promovido pelos americanos e declarou a intenção do Partido dos Trabalhadores (PT) de buscar formas de assistência. No entanto, as ações concretas ainda não se materializaram.
A professora Ana Carolina Marson, especialista em relações internacionais, analisa que a política externa brasileira atualmente enfrenta um dilema entre ser uma voz autônoma na América Latina e a necessidade de alinhar-se, em alguns momentos, com os interesses dos Estados Unidos. Esse comportamento, que ela classifica como “política externa pendular”, se reflete nas decisões do governo frente à situação de Cuba. Para Marson, a ausência de ações mais firmes por parte do Brasil está também relacionada ao cenário eleitoral de 2026, onde qualquer decisão sobre Cuba poderia ser explorada politicamente pela oposição.
Nesse sentido, a abordagem mais cautelosa do Brasil contrasta com as ações da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que não hesitou em desafiar a Casa Branca e enviou ajuda humanitária a Cuba. A falta de uma postura assertiva pelo Brasil reforça a ideia de um afastamento do papel histórico de mediador que o país vinha exercendo na região. Enquanto Cuba luta para superar suas dificuldades, a indecisão do governo brasileiro levanta questões sobre a capacidade do Brasil de se afirmar como agente de mudanças positivas na América Latina, especialmente em um momento em que a pressão internacional e as tensões regionais são evidentes.







