Presidente do Banco Central Alerta sobre o Caos Jurídico em Licenças de Instituições de Pagamento
Em uma intervenção crucial durante a CPI do Crime Organizado no Senado nesta quarta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, expressou preocupação com a possibilidade de um “caos” jurídico em relação às Instituições de Pagamento (IPs) que tenham suas licenças cassadas. Com a crescente presença de bancos digitais e fintechs no Brasil, a questão da regulamentação e autorização desses serviços financeiros se torna ainda mais relevante. As IPs, instituídas pela Lei 12.865 de 2013, são uma parte vital do sistema financeiro moderno, mas falhas na apropriação do controle legal podem resultar em complicações para todas as partes envolvidas.
Galípolo destacou que, sem um entendimento uniforme entre os tribunais do país, o processo de cassação de licenças poderia desencadear uma série de recursos judiciais, desestabilizando o ambiente regulatório. Em uma reunião recente com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que ocorreu em março, o presidente do BC anunciou que a autarquia está preparando um pacote de medidas para enfrentar as ameaças cibernéticas que têm afetado o setor financeiro, o que reforça a urgência de um alinhamento judicial eficaz.
Além disso, Galípolo informou que a autarquia já possui respaldo legal para retirar a autorização de funcionamento de uma IP sem recorrer a processos de liquidação extrajudicial. Essa abordagem visa evitar custos excessivos e uma sobrecarga ao sistema financeiro. “Se eu tiver que liquidar uma a uma, eu vou ter que ter liquidante para cada uma dessas instituições, e isso gera um custo que o Banco Central precisa evitar”, afirmou ele.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 220 IPs operantes, e a situação deve se intensificar, já que desde o ano passado nenhuma nova IP pode iniciar operações sem autorização prévia do Banco Central. O prazo para essa solicitação foi antecipado, o que tornará a adequação ao novo regulamento um desafio iminente.
Recentemente, a autarquia negou a terceira licença para a Ecomovi Instituição de Pagamento e, desde janeiro, já contabilizou 32 cancelamentos de autorização, sendo sete deles de IPs. Essa tendência reflete o endurecimento da supervisão regulatória em resposta ao aumento de fraudes e ataques cibernéticos que têm se multiplicado.
O presidente do Banco Central também aproveitou a audiência para pedir o apoio do Congresso na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa dar autonomia financeira ao Banco Central. Ele ressaltou a urgência em modernizar a estrutura da autarquia, que enfrenta uma significativa defasagem de pessoal: dos 6.470 cargos disponíveis, quase 3.400 permanecem vagos, comprometendo diretamente sua capacidade de fiscalização.
Essa situação levanta questões cruciais sobre a eficiência do sistema financeiro brasileiro e a necessidade de um marco regulatório robusto, capaz de garantir a segurança e a integridade das Instituições de Pagamento no cenário contemporâneo.
