Presidente do Banco Central alerta: custo da transição verde está subestimado e transição energética deve ser coordenada para evitar impactos.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chamou a atenção para o custo subestimado da transição verde durante o evento Green Swan 2024, realizado no último sábado. Segundo ele, os eventos climáticos estão crescendo de forma exponencial, o que torna urgente a necessidade de uma transição energética coordenada.

Campos Neto ressaltou que a inovação nesse sentido tem se mostrado mais difícil e complexa do que o esperado, com insumos mais inelásticos do que previsto. Ele pontuou que, após crises como a de 2008 e a pandemia da covid-19, as pessoas passaram a demandar um crescimento mais sustentável e inclusivo.

O presidente do BC também destacou a sensibilidade dos investimentos verdes às políticas monetárias, mas reconheceu a dificuldade de incorporar esse cenário em modelos econômicos, especialmente devido às externalidades positivas. Ele citou a reputação das empresas e a preferência dos consumidores por produtos verdes como exemplos dessas externalidades.

Campos Neto enfatizou a complexidade de modelar questões relacionadas às taxas de carbono, apontando as diferenças nas políticas de tarifas sobre emissão de carbono entre os países. Ele destacou a necessidade de considerar ajustes nos impostos de fronteira, que podem alterar significativamente os incentivos para os países.

O presidente do Banco Central encerrou sua participação no evento ressaltando a importância de um debate aprofundado e abrangente sobre a transição verde e seus impactos na economia real. A complexidade e os desafios envolvidos nesse processo demandam uma abordagem cuidadosa e articulada entre os diferentes setores da sociedade.

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