Presidente da Alerj cobra decisões sobre interinidade e defende eleições diretas em meio a crises políticas no Rio de Janeiro

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, elevou o tom das críticas em relação à permanência do desembargador Ricardo Couto como governador interino. Em um discurso de 12 minutos, proferido na quarta-feira, Ruas fez um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que uma decisão sobre a questão fosse tomada com urgência. Ele ainda endossou a realização de eleições diretas para o cargo temporário, argumentando que essa seria a melhor forma de assegurar a legitimidade do governo.

Ruas enfatizou que, embora não tivesse nada pessoal contra Couto, acreditava que um governante interino carece da legitimidade necessária para tomar decisões significativas. Desde que lançou mão do cargo, em 24 de março, Couto já realizou 859 exonerações e dissolveu alguns órgãos da administração pública, como a Subsecretaria de Gastronomia, uma ação que desvela a estratégia de contenção de gastos.

Em sua manifestação, Douglas Ruas criticou a falta de um consenso em relação ao modelo de eleição, enfatizando que a instabilidade institucional, que afeta o estado do Rio, se agrava cada vez que questões políticas são levadas ao Judiciário. Ele citou experiências de outros estados, como Alagoas e Amazonas, ressaltando que disputas semelhantes têm se tornado comuns. O presidente da Alerj lamentou a transformação de divergências políticas em demandas judiciais, o que, segundo ele, prejudica a democracia.

Por outro lado, Luiz Paulo, líder do PSD na Alerj, destacou que a indefinição sobre como se dará a escolha do próximo governador é um reflexo do descompasso político existente. Ele destacou as dificuldades em alcançar um acordo sobre se a eleição deve ser direta ou indireta, o que levou a uma sobrecarga de procedimentos judiciais que agravaram a situação.

Defendendo a legitimidade do atual governador interino, o deputado Vitor Junior (PDT) argumentou que não há desrespeito à Constituição e que Couto está gerenciando as contas públicas de forma responsável. Para ele, os problemas enfrentados pelo estado derivam de ações políticas anteriores e não da atual administração.

Outros parlamentares, como Flávio Serafini do PSOL, concordaram que a instabilidade do estado não pode ser atribuída à judicialização, mas sim a um contexto político complexo, envolvendo a queda do ex-governador. Em meio a esse embate político, o futuro da governança no Rio de Janeiro se torna cada vez mais incerto, com muitas expectativas depositadas no Supremo Tribunal Federal para que se tome uma decisão que possa estabilizar o cenário.

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