Preocupação com Atestados Falsos Aumenta em Empresas do Rio: Fraudes Impactam Recursos Humanos e Previdência Social

A crescente emissão de atestados médicos falsos pela internet tem gerado sérias preocupações entre as empresas do estado do Rio de Janeiro. Uma das principais redes de varejo da região, que emprega cerca de 15 mil funcionários, já adotou um sistema interno para combater essa prática fraudulenta. No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou a entrega de 15.828 atestados, um volume significativamente maior do que o esperado. Desse total, 39 documentos foram identificados como fraudulentos, enquanto cerca de 1.500 ainda passam por análise detalhada.

Para gerenciar melhor essa situação, a empresa criou um núcleo especializado em verificar a autenticidade dos atestados. Todos os documentos apresentados são submetidos a um processo rigoroso, que inclui a verificação da assinatura do funcionário e de testemunhas. O próximo passo envolve contato direto com as unidades de saúde responsáveis pela emissão dos atestados, onde a empresa valida a assinatura do médico e o vínculo com o estabelecimento, além de certificar a legitimidade do documento.

A diretora do Departamento Jurídico da rede enfatiza que essa situação alarmante tem se intensificado ao longo dos anos. “O problema se tornou uma febre, e por isso é imprescindível termos uma área dedicada a essa questão, trabalhando em conjunto com recursos humanos”, afirma. Em comparação com março de 2018, quando a mesma quantidade de funcionários resultou em 3.436 atestados, em março deste ano o número saltou para 5.276.

Entre os casos mais graves, um funcionário apresentou 11 atestados falsos entre janeiro e março deste ano, todos supostamente emitidos por um hospital municipal. Após uma verificação urgente, foi confirmado que os documentos eram fraudulentos, resultando na demissão do colaborador por justa causa e registro do caso na polícia.

A advogada da empresa ressalta a importância de um apoio mais ágil por parte das autoridades, pois o atual processo de verificação leva em média 45 dias. “A lentidão no processo dificulta uma resposta efetiva das empresas e, consequentemente, impacta a Previdência Social”, alerta.

Em resposta ao aumento alarmante na emissão de atestados falsos, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) planeja realizar um workshop educacional para orientar empresas sobre a identificação de fraudes. O evento será promovido em sindicatos de diversas localidades do estado, com o objetivo de discutir a gravidade da situação e oferecer estratégias de combate. “A atuação da Polícia Civil é crucial nesse combate”, afirma Maria Rita Catônio Barbosa, gerente jurídica trabalhista da Firjan, ressaltando que a implementação de uma fiscalização mais rigorosa é necessária, especialmente com o crescente uso da telemedicina.

O coordenador de Produtos de Medicina da Firjan, Luiz Humberto Werdini, também expressa preocupação sobre a normatização da telemedicina, que, segundo ele, contribui para a proliferação de atestados médicos falsificados, o que agrava um problema já bastante complexo.

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