Meloni enfatizou que a falta de uma abordagem unificada tem sido um dos principais obstáculos para a efetividade da política externa da Europa. A primeira-ministra sugeriu a nomeação de um representante europeu especial para tratar das questões relacionadas à Ucrânia, uma figura que ajudaria a consolidar as várias posições dos países da UE em uma só voz. Ela argumenta que esse passo é crucial para que a Europa seja um interlocutor relevante no processo de paz.
Diversos países europeus têm se mostrado divididos em relação à Rússia, especialmente no que diz respeito ao uso de ativos russos congelados para ajudar a Ucrânia e ao aumento das sanções contra Moscou. Na prática, nações como Hungria e Eslováquia manifestaram resistência a medidas mais rígidas, destacando as dificuldades em estabelecer um consenso.
A proposta de Meloni surge em um momento em que as relações entre Moscou e os países ocidentais têm sido particularmente tensas, com Vladimir Putin afirmando em dezembro de 2025 que o diálogo com a Europa seria viável, desde que as condições fossem favoráveis e as elite políticas europeias se ajustassem. Em uma declaração do vice-ministro das Relações Exteriores russas, Sergei Ryabkov, foi reiterada a disposição de Moscou para contatos, embora tenha sido notado que a Europa ainda parece hesitante em avançar nesse sentido.
Esse contexto ressalta a complexidade dos desafios que a Europa enfrenta ao tentar lidar com um conflito tão profundamente enraizado e que já dura anos. A visão de Giorgia Meloni, portanto, pode representar uma ruptura com a abordagem predominantemente militarista, abrindo a possibilidade de um diálogo que visa a resolução pacífica do conflito na Ucrânia. As próximas ações da União Europeia serão cruciais para determinar se essa proposta se concretizará e se poderá levar a um avanço significativo nas negociações de paz.
