Prefeito do Rio lança Guarda Municipal armada, mas falta planejamento com a Polícia Militar e gera críticas sobre integração das forças de segurança

No mês de junho do ano passado, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou a criação de uma divisão de elite na Guarda Municipal. Os agentes dessa nova força, que estarão armados, têm autorização para portar armas durante o patrulhamento nas ruas da cidade. Na última terça-feira, o prefeito Eduardo Paes, do PSD, revelou que a primeira turma, composta por 600 agentes, iniciará suas atividades no próximo mês. No entanto, apesar da oficialização da nova corporação há sete meses, ainda não houve uma reunião formal entre a prefeitura e o governo estadual para discutir como a Força Municipal atuará em conjunto com a Polícia Militar.

Durante a apresentação dos equipamentos que os guardas utilizarão, o prefeito Paes expressou sua frustração com a falta de respostas das autoridades estaduais em relação à articulação para essa nova estratégia de segurança. “A responsabilidade pela segurança pública é do governo do estado”, destacou Paes, que tem solicitado reuniões com o governador Cláudio Castro para alinhar esforços. Ele ressaltou ainda que, em sua visão, seu papel é apoiar a Polícia Militar, permitindo que a corporação concentre suas forças em áreas onde sua atuação é exclusivamente necessária.

Em resposta a essas críticas, o governador Castro, atualmente em viagem à Europa, contrabalançou as declarações de Paes ao destacar as reuniões frequentes entre eles e enfatizou que o diálogo entre estado e prefeitura está em curso. Além disso, ele chamou a nova força armada de “estranha”, observando que sua criação sem um planejamento coordenado com as forças estaduais levanta preocupações sobre a eficácia na segurança pública.

Nos bastidores, uma dinâmica política intrigante se desenrola. Com ambos os líderes mirando a eleição deste ano — Paes como candidato ao governo e Castro considerando uma candidatura ao Senado — há um entendimento, ao menos temporariamente, de evitar conflitos. No entanto, partes do Partido Liberal, onde Castro é uma figura proeminente, advogam que é essencial ter uma candidatura forte no cenário local.

Enquanto o debate sobre segurança pública se intensifica e preenche a agenda eleitoral, a nova Guarda Municipal armada poderá se tornar uma das principais bandeiras de Paes em sua campanha. A aprovação do projeto na Câmara Municipal foi marcada por oposição significativa, com a maioria dos vereadores do PL votando contra.

A falta de uma integração adequada entre as forças de segurança tem sido criticada por especialistas, que alertam para os riscos de ineficiência operacional. A urgência para a definição clara de responsabilidades e protocolos de colaboração é uma necessidade premente, conforme argumentam vários comentaristas do setor.

Ainda sem um planejamento conjunto com as forças estaduais, a prefeitura já decidiu como será a distribuição inicial dos 600 guardas armados, que estarão responsáveis pelo patrulhamento de áreas estratégicas com base em análises de criminalidade.

Armados com pistolas de 9 mm e equipamentos de contenção, os novos agentes terão acesso a tecnologias de monitoramento avançadas, incluindo câmeras corporais e sistema de GPS. A expectativa é que a nova corporação atue de forma sinérgica e eficaz no combate ao crime, embora as vozes de preocupação sobre a falta de um planejamento integrado continuem a ecoar no debate público.

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