Prefeito do Rio defende digitalização do transporte e critica Procon-RJ e Sedcon por tentativas de barrar mudanças no sistema de pagamento de tarifas.

Em um cenário conturbado entre a prefeitura do Rio de Janeiro e órgãos estaduais, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) expressou suas críticas em relação ao Procon-RJ e à Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon). Durante um evento de entrega de 100 novos ônibus na Zona Oeste, Cavaliere manifestou seu descontentamento com a tentativa dos órgãos de barrar mudanças no sistema de transporte Jaé, anunciado para entrar em vigor em 30 de outubro.

O prefeito ressaltou que essa resistência à digitalização do pagamento no transporte público reflete interesses ocultos e uma suposta preferência pela circulação de dinheiro em espécie. Cavaliere argumentou que a medida visa, entre outros objetivos, eliminar práticas ilícitas associadas à movimentação de dinheiro vivo, citando casos de operações da Polícia Federal que revelaram escândalos de corrupção envolvendo cédulas escondidas em malas e caixas de sapato.

A partir das mudanças propostas, os ônibus municipais deixarão de aceitar pagamentos em dinheiro. A integração tarifária do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM) ocorrerá exclusivamente por meio do “cartão preto” do sistema Jaé ou via QR Code pelo aplicativo correspondente. Segundo o prefeito, cerca de 95% das passagens já são pagas digitalmente, e a digitalização contribuirá para a diminuição de assaltos e acelerará o processo de embarque, além de melhorar o controle financeiro das operadoras de ônibus.

Contrapõem-se a essa visão as preocupações levantadas por Procon-RJ e Sedcon. Os órgãos apontam que as mudanças foram implementadas de forma abrupta, sem uma campanha adequada de conscientização e sem a infraestrutura necessária para apoiar toda a população que utiliza o transporte público, especialmente grupos vulneráveis. Idosos, pessoas sem acesso à internet, trabalhadores informais e turistas são alguns dos segmentos que podem ser diretamente afetados pela exclusão do dinheiro como forma de pagamento.

A ação judicial proposta pelos órgãos estaduais solicita a manutenção do pagamento em espécie nos ônibus, a suspensão do uso exclusivo do cartão Jaé e do QR Code para integração tarifária, além da criação de um plano de contingência que inclua uma ampla campanha de informação à população. Também é exigido um prazo mínimo de 30 dias para adaptação às novas regras, com a devida notificação aos consumidores e fortalecimento na estrutura de atendimento.

Cavaliere, por sua vez, confia que a Justiça reconhecerá a importância das transformações implementadas, que foram viabilizadas com o apoio do Ministério Público. Ele acredita que a distinção entre política pública e interesses pessoais será reconhecida pelas instituições sérias. O embate entre essas autoridades evidencia não apenas uma luta pelo futuro do sistema de transporte, mas também a necessidade de equilibrar inovação com inclusividade na transição digital da cidade.

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