O prefeito ressaltou que essa resistência à digitalização do pagamento no transporte público reflete interesses ocultos e uma suposta preferência pela circulação de dinheiro em espécie. Cavaliere argumentou que a medida visa, entre outros objetivos, eliminar práticas ilícitas associadas à movimentação de dinheiro vivo, citando casos de operações da Polícia Federal que revelaram escândalos de corrupção envolvendo cédulas escondidas em malas e caixas de sapato.
A partir das mudanças propostas, os ônibus municipais deixarão de aceitar pagamentos em dinheiro. A integração tarifária do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM) ocorrerá exclusivamente por meio do “cartão preto” do sistema Jaé ou via QR Code pelo aplicativo correspondente. Segundo o prefeito, cerca de 95% das passagens já são pagas digitalmente, e a digitalização contribuirá para a diminuição de assaltos e acelerará o processo de embarque, além de melhorar o controle financeiro das operadoras de ônibus.
Contrapõem-se a essa visão as preocupações levantadas por Procon-RJ e Sedcon. Os órgãos apontam que as mudanças foram implementadas de forma abrupta, sem uma campanha adequada de conscientização e sem a infraestrutura necessária para apoiar toda a população que utiliza o transporte público, especialmente grupos vulneráveis. Idosos, pessoas sem acesso à internet, trabalhadores informais e turistas são alguns dos segmentos que podem ser diretamente afetados pela exclusão do dinheiro como forma de pagamento.
A ação judicial proposta pelos órgãos estaduais solicita a manutenção do pagamento em espécie nos ônibus, a suspensão do uso exclusivo do cartão Jaé e do QR Code para integração tarifária, além da criação de um plano de contingência que inclua uma ampla campanha de informação à população. Também é exigido um prazo mínimo de 30 dias para adaptação às novas regras, com a devida notificação aos consumidores e fortalecimento na estrutura de atendimento.
Cavaliere, por sua vez, confia que a Justiça reconhecerá a importância das transformações implementadas, que foram viabilizadas com o apoio do Ministério Público. Ele acredita que a distinção entre política pública e interesses pessoais será reconhecida pelas instituições sérias. O embate entre essas autoridades evidencia não apenas uma luta pelo futuro do sistema de transporte, mas também a necessidade de equilibrar inovação com inclusividade na transição digital da cidade.
