Belo Horizonte — A polêmica em torno do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Belo Horizonte ganhou contornos mais intensos após o prefeito Álvaro Damião, do União Brasil, reafirmar sua posição firme em relação aos cortes de pessoal na instituição. Em declarações recentes, Damião tem enfatizado que não há planos de reverter a redução no quadro de profissionais, uma decisão que, segundo ele, é necessária para o ajuste das contas públicas do município.
Em um evento realizado na região norte da capital, o prefeito se posicionou de maneira categórica, afirmando que as mudanças no Samu “não têm volta”. Ao justificar a medida, ressaltou que a administração deve equilibrar receitas e despesas, fazendo um paralelo com a gestão econômica de qualquer casa. Ele questionou a singularidade de Belo Horizonte, que, segundo ele, opera com um número maior de profissionais nas equipes de ambulâncias em comparação com outras capitais brasileiras, insinuando que essa estrutura seria insustentável.
Com a adoção dessas novas diretrizes, 13 das 22 Unidades de Suporte Básico (USBs) passaram a contar com apenas um técnico de enfermagem em cada plantão, enquanto as demais mantêm duas profissionais. Essa mudança gerou preocupações significativas sobre a capacidade do Samu em responder efetivamente às emergências. Um incidente recente, onde foram necessárias três ambulâncias para atender a uma única ocorrência, reforçou as inquietações da população e de especialistas na área de saúde.
Em uma coletiva, Damião voltou a sustentar que as alterações não representam cortes, mas sim um “remanejamento” em conformidade com normas nacionais. Ele afirmou que a nova configuração operacional não demandará reposição de profissionais, afirmando que a otimização se dará sem a necessidade de emprego de mais recursos. Entretanto, essa disposição para reajustar a equipe tem sido criticada por inadvertidamente minar a eficiência do atendimento.
A gestão da crise se complicou ainda mais com a proposta de emendas parlamentares para evitar as demissões. A deputada federal Duda Salabert e o deputado Pedro Aihara manifestaram a intenção de destinar recursos para manter o quadro atual de técnicos de enfermagem. Contudo, Damião desconsiderou essa possibilidade como base para reconsiderar sua posição, afirmando que a gestão das verbas deve ser feita exclusivamente pelo Executivo municipal.
A controvérsia acerca das demissões, que resultaram no desligamento de 33 técnicos de enfermagem, gerou protestos e mobilização por parte da categoria e da sociedade civil. A decisão da prefeitura também foi alvo de críticas de parlamentares e do Ministério Público de Minas Gerais, que chegou a protocolar uma ação civil contra as medidas adotadas. Apesar do crescente clamor por mudanças, Damião mantém-se irredutível, sinalizando que as diretrizes estabelecidas estão consolidadas e sob controle da administração municipal.
