Esse cenário sugere que as empresas aéreas já anteciparam o reajuste nas tarifas devido à recente elevação nos preços do combustível de aviação. Especialistas afirmam que essa elevação é uma consequência inevitável, uma vez que muitas passagens são vendidas com antecedência — tanto para viagens de médio quanto de longo prazo. A instabilidade em relação aos preços do querosene e a incerteza acerca da duração da crise no Irã são fatores que impulsionam essa elevação nas tarifas.
Um ponto relevante a ser destacado é a lacuna de 45 dias entre a variação dos preços da commodity no mercado internacional e o ajuste nas tarifas em território nacional. Durante uma apresentação de resultados, a Azul chamou a atenção para essa defasagem, a qual consideram um aspecto positivo, já que oferece um certo tempo para ajustes das receitas e preços. Apesar disso, o aumento impacta de forma significativa as contas da companhia. A Azul revelou que cerca de 30% de suas despesas são relacionadas ao combustível e que, caso haja um aumento de 10% no preço do querosene, seria necessário um incremento de 2,5% na receita total para compensar essa alta.
A Petrobras, por sua vez, anunciou um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação, um reflexo direto da subida das cotações do petróleo após o início dos conflitos. Para amenizar o impacto sobre as aéreas, o governo também anunciou um pacote de medidas que incluem a suspensão de tributações sobre o combustível e a oferta de linhas de crédito, totalizando cerca de R$ 9 bilhões, para ajudar na reestruturação financeira do setor.
No contexto do primeiro trimestre de 2026, o aumento nas tarifas aéreas foi de 16% em relação ao ano anterior e 12% em relação ao trimestre anterior. Curiosamente, observou-se uma diminuição nas tarifas para passageiros de lazer, enquanto as passagens para empresas tiveram um aumento expressivo. A Latam, em particular, parece estar mais bem posicionada para lidar com esses desafios, com uma estratégia de hedge que protege 36% do seu consumo de combustível para 2026, uma reserva que pode ajudar a mitigar as flutuações de preço.
Esse quadro revela um setor aéreo se ajustando a uma nova realidade, marcada por incertezas globais e pressões internas, com companhias adotando estratégias variadas para manter a sustentabilidade de suas operações.






