A impunidade tem sido apontada como um dos principais motivos para o crescimento alarmante de casos de violência política durante as eleições municipais. A coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, destacou que a resposta do estado à violência tem sido insuficiente, o que acaba contribuindo para a naturalização desses episódios e o aumento da frequência dos ataques.
A pesquisa revelou que as eleições municipais têm se tornado mais violentas ao longo dos anos. Em 2016, foram registrados 46 casos de violência política, número que aumentou para 214 em 2020 e saltou para 558 em 2024. Mulheres candidatas foram especialmente alvo da violência política, representando 38,4% dos casos totais.
Além dos casos de assassinatos, atentados, ameaças e ofensas direcionadas às candidatas, a pesquisa apontou que 70% das ameaças ocorreram por meio de redes sociais, e-mail e plataformas digitais. A falta de regulação da internet tem contribuído para a expansão desse tipo de violência, especialmente contra as mulheres.
Diante desse cenário alarmante, as pesquisadoras enfatizam a necessidade de ações efetivas por parte do poder público para combater a violência política, como programas de prevenção, aprimoramento das leis e segurança ampliada para os candidatos. Além disso, é fundamental que o sistema eleitoral e de justiça ofereçam apoio às vítimas, canais de denúncia estruturados e agilidade no julgamento dos casos.
A articulação entre sociedade civil, instituições democráticas e partidos políticos é fundamental para frear o avanço da violência política e fortalecer a democracia no Brasil. A pesquisadora da Justiça Global ressaltou que essa é uma responsabilidade coletiva que requer medidas urgentes e eficazes para garantir a segurança e integridade dos candidatos durante o processo eleitoral.





