POLÍTICA – TSE barrando recomendação de contas de candidatos nas redes sociais é criticada pela Casa Branca como “censura” – Entenda a polêmica

A Resolução nº 23.732 aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerou polêmica ao ser criticada pela Casa Branca, que a considerou uma forma de “censura”. A medida tem como objetivo evitar que as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como bigtechs, possam interferir no equilíbrio da disputa eleitoral ao favorecer determinados candidatos por meio da recomendação de contas nas redes sociais.

A regra que entrou em vigor em fevereiro de 2024 proíbe a recomendação dos perfis de candidatos durante o período da campanha eleitoral, exceto quando ocorrer por meio de impulsionamento pago. Antes da implementação da medida, a plataforma X, pertencente a Elon Musk, aliado de Donald Trump, comunicou aos usuários sobre as mudanças, destacando que a recomendação de contas apenas seria exibida para pessoas que já seguem o perfil do candidato.

A decisão do TSE foi criticada pela subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado dos EUA, Sarah B. Rogers, que a considerou uma forma de “censura imposta pelo Brasil”. No entanto, especialistas em tecnologia, eleições e direito eleitoral afirmam que a medida busca garantir maior igualdade na disputa eleitoral, evitando assim possíveis viés ou assimetrias nas contas de candidaturas concorrentes.

O advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo defendeu a decisão do TSE, argumentando que a Constituição respalda a busca por igualdade de condições na disputa eleitoral. Segundo Rollo, a proibição da recomendação artificial de candidatos pelas bigtechs visa assegurar a lisura e evitar preferências injustas.

Embora a recomendação de candidatos através do impulsionamento pago seja permitida, especialistas alertam para a falta de garantias de que os valores cobrados pelas plataformas sejam os mesmos para todos os candidatos, o que poderia ferir o princípio da isonomia no pleito. Além disso, as resoluções do TSE também impõem restrições aos sistemas de Inteligência Artificial (IA) usados pelas bigtechs, proibindo-os de emitir opiniões, indicar preferências eleitorais ou favorecer candidatos de forma direta ou indireta.

Dessa forma, a medida do TSE visa garantir a transparência e igualdade nas eleições, protegendo o processo democrático de possíveis influências indevidas por parte das grandes empresas de tecnologia.

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