A deputada federal Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, argumentou que a definição da jornada de trabalho deve ser uma negociação entre patrões e trabalhadores, enfatizando que imposições legislativas podem acarretar problemas. Ela ressaltou que, embora a qualidade de vida do trabalhador seja uma prioridade, não se pode ignorar o impacto que o aumento dos custos trabalhistas pode ter sobre aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras. “Estamos preocupados se o custo que vai aumentar na mão de obra não vai recair sobre aquele povo já tão sofrido”, disse.
As discussões sobre efeitos econômicos da redução da carga horária são diversas, com pesquisas apresentando resultados variados. Em alguns países europeus, reduções semelhantes não levaram a uma diminuição do PIB, nem afetaram negativamente o emprego ou os salários. O deputado Gilson Marques, do Novo, que pediu a postergação da votação, reconheceu a exaustão da escala 6×1, mas defendeu que a mudança abrupta poderia ser prejudicial para os trabalhadores.
Além de criticar a proposta, a deputada Zanatta aludiu ao líder de seu partido, Sóstenes Cavalcante, que planeja apresentar uma proposta alternativa para uma carga de 4×3. Isso levanta a questão de uma mudança de estratégia do PL, que anteriormente se opôs à redução da jornada.
Por outro lado, a deputada Érika Hilton (Psol) acusou o PL de adotar uma “manobra” para minar o processo de votação. Segundo ela, a oposição busca desviar a atenção dos problemas reais enfrentados pelos trabalhadores. Hilton destacou a relevância da PEC como uma vitória para as famílias brasileiras, promovendo não apenas saúde física e mental, mas também melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
O texto da PEC propõe a transição da jornada reduzida, permitindo ao trabalhador continuar na escala 6×1, desde que cumpra a nova obrigação de ter duas folgas por semana. A proposta, se aprovada, posicionará o Brasil ao lado de outros países da América Latina que já implementaram reduções de jornada.
Embora a discussão continue polarizada, a PEC pode representar uma transformação significativa nas relações de trabalho no Brasil, proporcionando novos contornos à discussão sobre a qualidade de vida laboral e os direitos dos trabalhadores.





